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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 nov

Saída para as “sobras” da política em Goiás é tentar se juntar para enfrentar Daniel Vilela em 2026

Poucas vezes na história – ou talvez nunca – Goiás assistiu à constituição de um bloco tão hegemônico na política como ocorreu nos últimos anos sob a liderança do governador Ronaldo Caiado. É até praxe dizer ou comentar ou ouvir que Caiado não enfrenta nenhum tipo de contestação e pilota a sua aliança partidária sem qualquer obstáculo minimamente significativo, preparando com tranquilidade a candidatura do seu sucessor Daniel Vilela para o ano que vem enquanto trabalha no seu projeto presidencial. Estadualmente, não há forças atuando contra o governador goiano em qualquer parte, muito menos nos fóruns mais legítimos para essa finalidade, como a Assembleia Legislativa ou a imprensa ou o chamado campo progressista, enfim, seja onde for.

 

 

Entre a população, Caiado conquistou uma “quase unanimidade”, na definição do pesquisador sênior da Genial/Quaest Felipe Nunes, instituto de credibilidade que já publicou inúmeros levantamentos mostrando que ele, Caiado, chega a inacreditáveis 88% de aprovação. Isso significa que, a cada 10 goianas ou goianos, nove enxergam com bons olhos a gestão estadual. Nenhum governador, desde a chegada do Conde dos Arcos no século 18 para administrar a Província de Goyaz, alcançou essas alturas. A consequência direta dessa maciça e esmagadora avaliação positiva, como não poderia deixar de ser, é inibir qualquer movimento contra Caiado e seus planos para futuro, que incluem a eleição de Daniel Vilela e a candidatura à presidência da República.

 

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É óbvio que mesmo assim nem todos na política se alinham com Caiado, embora se abstenham de agir contra a sua figura ou o seu governo. O ex-governador Marconi Perillo, por exemplo, quase não faz menção a ele em suas postagens nas redes sociais. Evita com zelo qualquer confronto. E por aí vai. Da esquerda, não sai uma palavra desagradável. E menos ainda de contendores previsíveis, como o senador Wilder Morais, que poderia montar um polo oposicionista, mas hesita em se candidatar a governador contra Daniel Vilela em 2026 – um dos motivos é o seu bom relacionamento com o governador. Em resumo, em meio a essa ausência absoluta de antagonismo, não há entraves no caminho de Caiado. Ele está no comando.

Tudo isso cria uma retaguarda favorável para o voo nacional do primeiro goiano a ser levado a sério como postulante à chefia da nação. Ao cruzar as fronteiras estaduais é que Caiado se depara com adversidades, jamais dentro dos limites de Goiás. Aqui não é exagero dizer que ele… reina absoluto. Certa vez o autor deste blog registrou para um deputado estadual a impressão de que o governador é respeitado na Assembleia como poucos dos seus antecessores o foram. O parlamentar respondeu rápido: “É mais do que respeito, é medo. Quem é que tem coragem de afrontar o Caiado com pedidos, chantagens ou jogadas, como era comum no passado? A turma tem um medo reverencial dele”, assinalou.

Correta ou não, essa análise leva ao mesmo lugar de todas as outras: se Caiado é um quase consenso popular, da mesma forma e recebe uma espécie de aclamação tanto no cenário convencional ou profissional da política, da mesma forma é acolhido pelas elites acadêmicas, intelectuais e até as religiosas, classistas e todas as demais. O governador é reconhecido e bem aceito, com certeza como corolário da sua biografia limpa e da sua postural moral e ética, sem falar na qualidade do modelo administrativo que implantou em Goiás (fiscal, programas sociais, obras, desenvolvimento econômico e educação). Não há espaço para nada alternativo e é por isso que Daniel Vilela, o candidato da base governista nas eleições de 2026, desponta como o favorito, em especial por ser o nome do peito de Caiado. Para as sobras, se houver, resta se aglutinar para encarar o desafio irreal de conseguir um resultado razoável nas urnas de 2026. Quem ou quê, no entanto, vai cozinhar no mesmo caldeirão vaidades tão díspares quanto Marconi Perillo, Wilder Morais, os petistas e mais uns ou outros? Ninguém. É impossível.