Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 dez

Salada de pesquisas começou a ser servida: confira aqui em quais acreditar… e são poucas

Uma salada de pesquisas sobre as urnas de 2026, ainda distantes, daqui a 10 meses, já está sendo precocemente servida pela imprensa e pelas redes sociais em Goiás. Atendendo a todos os gostos, apareceram institutos de que ninguém nunca ouviu falar antes, além de outros conhecidos, porém com credibilidade longe de um patamar aceitável – e em meio a tudo isso pouquíssimos merecem ser acreditados pela seriedade e responsabilidade com que executam seus levantamentos.

Começando por grifes que são respeitadas nacionalmente e já divulgaram nesta temporada pesquisas sobre as disputas pelo governo de Goiás e pelas duas vagas no Senado: Genial/Quaest, Atlas/Intel e Paraná Pesquisas. Nenhuma delas é alvo de dúvidas ou de polêmicas, com um raio muito amplificado de atuação, pelo país afora. Particularmente em Goiás, com um grau de exatidão razoável, por exemplo, nas eleições do ano passado em Goiânia e Aparecida. Todos eles prognosticaram o resultado com sucesso. Alguns até, como a Atlas/Intel, antecipando movimentos de virada de mesa, tal como aconteceu em Aparecida, com Leandro Vilela ultrapassando na reta final Professor Alcides e, em Goiânia, no 1º turno, com Fred Rodrigues chegando à frente de Sandro Mabel, assim como, no 2º turno, apresentaram Mabel como o potencial vencedor e não deu outra.

 

 

O que Genial/Quaest, Atlas/Intel e Paraná Pesquisas estão antecipando sobre a corrida pelo Palácio das Esmeraldas? Que, por ora, as expectativas seguem como esperado, ou seja, que o vice-governador Daniel Vilela lidera as projeções de voto, com uma margem média de 15 pontos sobre o 2º colocado, o ex-governador Marconi Perillo, e muito à frente do senador Wilder Morais, na base de três vezes mais pontos. Para o Senado, a primeira-dama Gracinha Caiado domina a ponta com tranquilidade absoluta, revezando-se no 2º lugar o deputado federal Gustavo Gayer e o senador Vanderlan Cardoso. Essa é a realidade de hoje, reproduzindo, aliás, o que as análises políticas mais consistentes costumam indicar dentro do cenário instalado neste instante.

Saindo daí, um instituto de confiabilidade média abriu divergência, o Real Time Big Data, da Rede Record – que, a propósito, já se envolveu em manipulação de dados em Goiás, na tentativa de favorecer o ex-governador Marconi Perillo na peleja por uma das vagas no Senado em 2018, na qual foi fragorosamente derrotado (ficou em 5º lugar). Segundo o Real Time, Daniel Vilela estaria apenas quatro pontos na dianteira sobre Marconi Perillo, ou 30 a 26%. Não cheira bem. Quando uma pesquisa sai exageradamente da linha mestra traçada pelas demais, as fidedignas, óbvio, é melhor desconfiar. Algo está errado.

 

LEIA AINDA

Representação parlamentar patina na mediocridade e não dá retorno para Goiás

O show de Mabel: ajuste fiscal e estabilidade administrativa em 8 meses

Falta de interlocução e “culto à personalidade” do pai inviabilizam projeto eleitoral da filha de Iris

 

Por fim, vêm os institutos menores, ultimamente em proliferação desenfreada no mercado político estadual. Igape, Goiás Pesquisas e mesmo um fantasticamente denominado Instituto Santa Dica (em alusão a uma líder messiânica que implantou uma seita em Pirenópolis, no início do século passado, e acabou virando marca de cerveja artesanal) pontuaram nas últimas semanas, com números absolutamente incongruentes que nem vale a pena mencionar. Essa vertente deve se aprofundar com o advento de 2026, via multiplicação de pesquisas, parte talvez de boa fé, porém sem substância técnica ou científica para de fato expressar a opinião eleitoral das goianas e dos goianos. O mero registro no Tribunal Regional Eleitoral não é garantia de nada, apenas uma formalidade burocrática que se cumpre com poucos papeis. De resto, pesquisas não influenciam o eleitorado – prevalecendo a convicção popular de que cada candidato providencia a sua, conforme os seus interesses. De certa forma, é produto da democracia.