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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 jan

Suspense sobre vice de Daniel Vilela ainda vai longe

Quem será o candidato a vice na chapa de Daniel Vilela? Ninguém sabe. Há muita especulação no ar, nada, contudo, baseado em fatos concretos (a redundância é proposital). A única informação disponível, por ora, é que a escolha será uma exclusividade do governador Ronaldo Caiado, por uma espécie, digamos assim, de direito reconhecido por unanimidade na base aliada. Que critério Caiado obedecerá? No momento, não há resposta. E quando ele anunciará a sua decisão? Aí, sim, parece existir clareza: ele próprio, nesta semana, reafirmou que “a discussão sobre o vice deverá acontecer lá pelo mês de junho ou julho. Mais ou menos na convenção”.

 

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A “convenção”, ou convenções, já que a aliança de partidos a respaldar a Daniel Vilela é ampla, são legalmente permitidas a partir de 20 de julho, podendo acontecer até a data máxima de 5 de agosto, dois meses antes da data da votação em 1º turno, no dia 4 de outubro. Ou seja: praticamente seis meses ainda até o esgotamento do prazo estabelecido pelo governador. Embute-se aí uma estratégia óbvia: uma definição a respeito de uma posição ambicionada por inúmeros políticos (e até não-políticos) e por partidos variados inevitavelmente deixa para trás algum estresse. Quanto mais tarde e mais próximo das urnas, portanto, melhor.

Mas pode ser uma precaução exagerada. Em se tratando de Caiado, cuja autoridade moral é imensa, dá-se como esperado que a sua decisão não traga nenhum desgaste. Entra aqui o esclarecimento de um deputado estadual governista, em declarações a este blog, ao dizer que “não é que a bancada tenha respeito elevado pelo governador, o que ela tem é medo, mesmo”. Isso significa que, seja quem for o vice, nem pensar em reclamações ou insatisfações. A tendência é que todos acatem reverencialmente e mergulhem no realmente importante, que é a campanha de Daniel Vilela.

 

 

Caiado fatalmente observará certos filtros para chegar ao seu indicado. O primeiro e mais obrigatório é o da confiança absoluta, óbvio. O segundo, ficha limpa e uma carreira de sucesso, em especial na vida pública. A partir daí, tudo vai depender da preferência do maior líder da base governista em Goiás. Ele priorizará densidade política e eleitoral? Pensará em referências religiosas, criando chances para um representante dos sempre muito militantes evangélicos? Alguém amadurecido, para equilibrar a chapa com a juventude de Daniel Vilela? Do agro? De qualquer forma, enquadrando-se cada um em parte desses quesitos, os mais cotados continuam sendo o secretário-geral da Governadoria Adriano Rocha Lima e o ex-deputado federal e presidente da FAEG Zé Mário Schreiner.

Adriano, pela proximidade com Caiado, pela competência administrativa e ar de modernizador, porém sem profundidade política ou eleitoral. Zé Mário se sai bem na maioria das exigências, menos na ligação íntima e estreita com o governador, em que perde de longe para Rocha Lima. Os dois reúnem vantagens e desvantagens. De resto, acostumado a surpreender na articulação política, Caiado pode apresentar uma solução completamente divergente do que parece lógico agora, caso desponte uma nova realidade. Certeza, nenhuma, e o melhor a fazer é aguardar.