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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 mar

Argumento que Wilder tentou usar contra Daniel Vilela vira-se contra ele mesmo

Há alguns dias, o senador e candidato pelo PL a governador Wilder Morais desfechou ataques na direção do vice-governador Daniel Vilela, do MDB, representante da base aliada na disputa deste ano pelo Palácio das Esmeraldas. Todos se lembram: segundo Wilder, Daniel seria “esquerdista” porque, lá atrás, teria defendido coligações do seu partido com o PT. Mais: o MDB ocupa três Ministérios no governo Lula e assim, sem dúvidas, seria uma “legenda de esquerda”.

A fragilidade dessa argumentação de Wilder é de dar dó. Só serve, aliás, para antecipar o baixo nível que, prevê-se, será a regra da campanha do PL em Goiás. Nem Daniel Vilela nem o MDB jamais foram de esquerda. Reconhecidamente, ambos transitaram e transitam pelo centro ideológico, oscilando, às vezes, pelos dois lados do espectro político, conforme as conveniências de ocasião – nada que não seja a tônica da maioria dos partidos brasileiros, de direita e de esquerda, quando falam mais altos os seus interesses (vale citar Iris Rezende, pai de Ana Paula, a vice de Wilder; Iris arrastou o MDB para os braços do PT, em 2008, ao montar chapa para a prefeitura de Goiânia com Paulo Garcia na vice).

Lembrando: Daniel Vilela até votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Para consolidar esse posicionamento e se vacinar, desde já, das “acusações” destrambelhadas de Wilder, o vice-governador entregou uma carta ao presidente nacional do MDB Baleia Rossi, criticando e condenando a hipótese de apoio à reeleição do presidente Lula (em troca da indicação do vice na chapa do petista). Não apenas. Daniel foi mais longe ao mobilizar 16 dos 23 diretórios estaduais para o lançamento de um manifesto também atacando a composição. Segundo o jornal O Globo, o emedebista de Goiás é o líder do movimento.

(Leia aqui a íntegra da carta de Daniel Vilela ao presidente nacional do MDB Baleia Rossi, na qual condena qualquer acordo para a reeleição do presidente Lula).

Ao fustigar inutilmente Daniel Vilela, Wilder Morais terminou mexendo em uma caixa de marimbondos. No ato, circularam reportagens mostrando que ele nunca defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro no Senado, em 10 anos de mandatos. Foi Wilder, ainda, um dos principais articuladores da aprovação de Alexandre de Moraes ao ser sabatinado pelos senadores quando indicado ministro do Supremo Tribunal Federal. Sim, Moraes, o implacável algoz do Jair. Wilder, na época, promoveu um encontro de colegas senadores com o naquele momento candidato a ministro do STF a bordo da sua chalana no Lago Paranoá, em Brasília, espantosamente batizada de Champagne (mais detalhes, aqui). Moraes saiu de lá com a sua aprovação garantida.

 

 

Sugestivamente, descobriu-se ainda que Wilder, além de jamais subir à tribuna do Senado para defender Bolsonaro, da mesma forma nunca emitiu qualquer crítica a Moraes ou ao Supremo. Mais? O Messias hoje encarcerado (e, neste instante, hospitalizado) chegou a reclamar da postura do senador goiano na mais alta Câmara Legislativa do país, onde chegou levado unicamente pelo bolsonarismo e onde, a cada três votações de interesse do governo Lula, votou em sintonia com a bancada da esquerda. Wilder Morais seria, então, “esquerdista”?

 

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Tudo isso confirma a pobreza mental e intelectual de Wilder Morais. Ele acabou tirando um gênio da lâmpada que imediatamente se virou contra ele. Dizem que, no Brasil, até loucos varridos ganham eleições, porém nunca os burros. Ou, se vencem, é só por uma vez. Bolsonaro é um exemplo indiscutível dessa verdade. Atenção: Wilder ganhou a sua, em 2022, para o Senado, em um inesperado acidente da história política estadual (virou senador com reles 700 mil votos, o menor resultado proporcional em pleitos senatoriais de todos os tempos). Pelo andar da carruagem, não vai passar daí.