Mabel vai tão bem que a comparação constrange Márcio Corrêa e Leandro Vilela

Circulem pelas ruas de Goiânia, leitoras e leitores. Não há buracos. Jardins e canteiros centrais bem cuidados. Limpeza das ruas e avenidas, impecável. Conversão à direita nos semáforos já absorvida pelos motoristas e ajudando a dar fluência ao tráfego. Deslocar-se pela cidade tornou-se mais rápido e confortável. Nos programas populares do meio-dia na televisão, ninguém reclama de nada. Os postos de saúde atendem satisfatoriamente a população. O asfalto dos bairros está sendo trocado. Grandes projetos já estão em andamento, como a construção de novos CMEIs para agasalhar e educar os filhos pequenos das mães trabalhadoras e educar, eliminando o déficit de vagas. Todas as contas da prefeitura estão em dia, enquanto sobra dinheiro no caixa para mais obras.
A recuperação da gestão da capital, nas suas frentes de trabalho mais importantes, é um fato concreto. O prefeito Sandro Mabel cumpriu o prometido na campanha e provou que, sim, é um gestor de mãos cheias. Não é perfeito, mas muito melhor do que todos os seus antecessores recentes, sem exceções. Atenção: melhor até que Iris Rezende, algo aparentemente impossível. Como se sai tão bem, Mabel cria um problemão para os seus colegas vizinhos Márcio Corrêa, em Anápolis, e Leandro Vilela, em Aparecida. Comparar é inevitável e daí salta que nem Corrêa nem Vilela pegaram como administradores, hoje ainda em débito com quem os elegeu e anos-luz atrás do prefeito de Goiânia.

Para começo de conversas, os dois – Corrêa e Vilela – continuam mergulhados em dificuldades financeiras, mais de um ano depois de empossados. Esse ponto negativo pregou ambos no chão, sem conseguir lançar um único projeto de impacto em seus municípios. Mabel, por exemplo, já está tocando o programa Morar no Centro, com a ambição de atrair 10 mil novos moradores para a região central, oferecendo 50% de desconto no aluguel por três anos, além de incentivos fiscais para reforma de imóveis. É uma revolução. Tem conteúdo e vai repercutir na revitalização de uma região urbana hoje decadente, algo que todos os prefeitos anteriores sonharam fazer, mas não passaram perto.
Enquanto isso, o que fazem Márcio Corrêa e Leandro Vilela? Distribuem uniformes e material escolar, iniciam campanhas de vacinação, inspecionam locais degradados pelas chuvas e presidem mutirões de limpeza. Nenhum deles deflagrou qualquer operação macroestruturante, à altura de efetivamente abrir perspectivas para as comunidades que teoricamente lideram – em especial dar mais qualidade para a vida dos seus munícipes. Mabel também comanda pessoalmente as atividades de rotina da sua prefeitura. Entrega uniformes e material escolar, abre a vacinação, aparece pessoalmente em todos os cantos da cidade e lidera mutirões. Só que vai muito além, não fica apenas nisso, como ocorre em Anápolis e Aparecida.
Não que Márcio Corrêa e Leandro Vilela tenham fracassado. Calma. Ainda é cedo para uma avaliação assim dura e drástica. Eles tiveram o azar de ganhar seus mandatos ao mesmo tempo em que Sandro Mabel. Como não colocar as suas trajetórias lado a lado com a de Mabel e confrontar o desempenho de cada um? Mabel deslanchou. Corrêa e Vilela perderam-se, sufocados por equipes repetitivas, descoordenação gerencial, falta de imaginação e, o pior de tudo, a ausência de capacidade para pensar grande. Claro, são pessoas decentes e bem-intencionadas, talvez precisando de tempo para acertar. E necessitando desesperadamente de uma boa assessoria.
LEIA AINDA
Mabel não se intimida, vai continuar nas ruas repreendendo quem é relapso com Goiânia e… está certo
Há quem diga que Márcio Corrêa e Leandro Vilela são vítimas de má comunicação. Pode ser. O jornalista Elio Gaspari ensina que, em geral, quando um governo diz que tem um problema de comunicação, o problema está no governo, não na comunicação. De qualquer forma, Mabel está bem servido nesse particular, com o experiente jornalista Jarbas Rodrigues como secretário de Comunicação (caso grave: Márcio Corrêa até hoje sequer preencheu a sua Secom, depois que o primeiro nomeado foi preso). E é fácil vender um prefeito que assumiu ostentando uma respeitável bagagem como vencedor na iniciativa privada, imagem que teve influência decisiva na eleição de Mabel (somando-se ao apoio do governador Ronaldo Caiado). Já Márcio Corrêa e Leandro Vilela chegaram à vitória em contextos diferenciados, com pouco a ver sobre governança e muito mais relacionados com posições ideológicas (Anápolis) ou de política local (Aparecida, onde as bênçãos de Caiado também caíram bem para Vilela). Ganhando, depararam-se com desafios monumentais, inclusive na comunicação. Mabel superou rápido os dele. Seus equivalentes anapolino e aparecidense ainda não.