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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 out

Erros de estratégia e características pessoais negativas inviabilizaram Wilder

Wilder Morais (PL) – e não o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) – é o grande derrotado que emerge das eleições deste ano em Goiás. Marconi, premido por uma coleção de fatores desfavoráveis, dentre os quais a monstruosa rejeição de mais de 50%, já entrou na campanha marcado para morrer. Isto é: predestinado a um insucesso, que acabou se configurando em um fiasco histórico ao terminar em 4º lugar, atrás até do petista Luis Cesar Bueno, com um saldo pífio de 315 mil votos, pouco mais do que o suficiente para a eleição de um deputado federal.

Marconi não tinha nada nas mãos. Wilder, ao contrário, está no meio de um mandato senatorial e teve a pretensão de representar uma base social e política com expressiva força estadual: a direita, tanto a bolsonarista quanto a não bolsonarista. No entanto, ele se saiu mal. Não passou de 797 mil votos (em 2022 teve os mesmos para o Senado ou 799 mil), que garantiram o 2º lugar, mas a uma distância estelar de Daniel Vilela (MDB), o vencedor, com 2.148.218 votos ou quase 3 vezes mais do que Wilder. Ouvido por jornalistas após a proclamação oficial do resultado, o senador atribuiu o seu fracasso a 1) pesquisas manipuladas e 2) peso da máquina governamental pró-Daniel.

Essas justificativas são ridículas. Os institutos de credibilidade nacional que anteciparam a vitória de Daniel Vilela não fraudam seus levantamentos, como a Quaest, por exemplo, contratada pela TV Anhanguera. No sábado, a Quaest cravou com exatidão os números da reeleição do governador em 1º turno: 57%. Deu 59%, dentro da margem de erro de 2 pontos. Quanto ao uso da “máquina”, isso é discurso de perdedor, coisa de antigamente que não existe mais. Ai de quem ousar usar recursos públicos para se eleger, em meio a uma miríade de instituições fiscalizadoras, inclusive a própria população.

 

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Por que Wilder Morais amargou um acachapante revés? Em primeiríssimo lugar, pelos erros graves de estratégia cometidos desde quando lançou o seu nome. Acreditou no voto ideológico, em uma eleição marcada pelo sentimento de continuidade das gestões do ex-governador Ronaldo Caiado. “Goiás é um Estado de direita”, redisse como um papagaio durante a campanha. É, mas só parcialmente. E o voto para governador não é e nunca foi, alicerçando-se muito nas expectativas de futuro do eleitorado. Apostou ainda em um levante bolsonarista na reta final, mesmo com os alertas de que a situação eleitoral em 2022 – quando milagrosamente se elegeu senador – foi bem diferente da atual. O Jair, por exemplo, veio a Goiás várias vezes. Nesta temporada, o filho Flávio apareceu na reta final, ficou por 2 horas e foi embora.

 

 

O surto bolsonarista no qual Wilder Morais confiou como única arma de mobilização não aconteceu. Assim como não chegaram os votos prometidos pela filha de Iris Rezende, Ana Paula, incapaz de atrair um único vereador de corrutela para a procissão wilderista. E, por último, Wilder fez a “não-campanha”. Sua agenda foi pífia, preguiçosa. Um compromisso por dia, muitas vezes gravações (para um programa de pouco mais de 1 minuto) ou visitas a entidades classistas. Em 14 de setembro, quando já se enxergava a reta final do pleito, visitou Cezarina, município com 8 mil habitantes, para uma reunião com “lideranças” locais. No dia seguinte, 2 entrevistas a emissoras de rádio, uma de Anápolis, outra de Jataí. Atenção: por telefone. Só. Essas 2 datas representam uma média da mobilização de Wilder e é por isso que se diz que ele fez uma “não-campanha.”

Ele mesmo, Wilder Morais, construiu a sua ruína. Acrescentem-se as suas condições pessoais negativas. São muitas, a começar por algo que é essencial a qualquer candidato: a voz. A de Wilder parece a de um velho bêbado, como registrou o Jornal Opção. Posteriormente, o mesmo veículo anotou também que seria uma voz de boneco de ventríloquo, lenta, pastosa. E se expressando em meio a uma enxurrada de erros gritantes de concordância de doer os ouvidos. Mas o pior vem a seguir: sempre de queixo erguido, em uma linguagem corporal de arrogância e superioridade. Roupas de grife, mocassins sem meias e bermudas brancas. Já viram candidato de bermudas, leitoras e leitores? Pois é. E tudo isso sem falar no cavanhaque. O jornalista Batista Custódio lembrava sempre que ninguém com barba jamais chegou ao governo de Goiás, a não ser na República Velha (1930 para trás). Agora, imaginem com um antipático e mefistofélico cavanhaque?

Em eleições, ganhar ou perder faz parte do jogo. Wilder Morais perdeu do jeito mais arrasador, não numericamente, humilhação reservada a Marconi Perillo, porém, em substância e conteúdo. Como aspirante a governar Goiás, mostrou-se incapaz e despreparado. Dificilmente se entendia o que ele queria transmitir quando falava. Talvez lá em Taquaral, sua terra natal, com todo respeito pelas taquaralenses e pelos taquaralenses, como vereador e olha lá. Taquaral não mereceria.