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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

14 out

Oposição perdeu feio para Caiado e Daniel também por falta de inteligência e estratégia

Passada a apuração, eleição como a que acabou de se encerrar para o governo de Goiás não pode ser esquecida sem que antes se extraiam as devidas lições para a classe política. Tendo o ex-governador Ronaldo Caiado como maestro e o governador Daniel Vilela, em busca da reeleição, como spalla, ou seja, o primeiro violino da orquestra, a base aliada do Palácio das Esmeraldas venceu facilmente, com mais de 59% dos votos no 1º turno. Mais que uma façanha espetacular, um verdadeiro assombro, dado que Caiado e Daniel enfrentaram um presidente da República, Lula; o bolsonarismo; e um ex-governador com 4 mandatos nas costas. Tudo isso, somado, foi simplesmente aniquilado pela campanha governista.

Claro que Caiado e Daniel tiveram os seus méritos – e foram muitos. A boa gestão de Caiado, aprovada por 88%, seguida pela de Daniel, que em apenas 6 meses alcançou mais de 75% de avaliação positiva, parecem ter se constituído em fatores fundamentais para a vitória. Acrescente-se uma ampla frente de partidos, apoios de lideranças de peso, capilaridade nos municípios, hegemonia absoluta com a metade do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, qualidade técnica do marketing eleitoral e, sem dúvidas, o desempenho de alto nível de Daniel nos debates, entrevistas e falas públicas em geral, com a adição da sua juventude e cara de renovação geracional como um toque especial.

 

 

Caiado e Daniel fizeram o dever de casa com competência. A jornada até a consagração das urnas, em 1º turno, não teve falhas. Beirou a perfeição. E nesse ponto entrou um elemento que também foi essencial para a construção de um triunfo que pode se chamar de histórico: a falta de preparo, a desorientação, a incapacidade, enfim, da oposição para cumprir com a sua razão de ser. Dos 3 candidatos do contra, um, para começar, nunca esteve no jogo – Luis Cesar Bueno, do PT, cuja candidatura de última hora foi providenciada como uma espécie de garantia de palanque para Lula e nada mais, Só que nem para isso serviu: em relação a 2022, quando cravou 39,51% dos votos em Goiás, Lula caiu 8,45 pontos neste ano ou 31,06% dos votos, no mais fraco desempenho do petista no Estado, dentre todos os pleitos presidenciais que disputou.

 

 

O desempenho de Luis Cesar só não pode ser rotulado de fiasco porque ele conseguiu superar o ex-governador Marconi Perillo e se classificar em 3º lugar, enquanto Marconi despencou para a 4ª posição. Isso, sim, uma verdadeira catástrofe política para alguém que em 20 anos venceu 5 eleições (4 para o Palácio das Esmeraldas e uma para o Senado), porém mergulhou em uma espiral de derrotas a partir de 2018 (2 vezes para o Senado e a de agora). Marconi fez por merecer o resultado adverso: lançou-se em uma verdadeira aventura, sem qualquer estrutura, sozinho, sem partidos, sem ninguém ao seu lado, sem tempo de propaganda no rádio e TV e sem representar nada de importante para as goianas e goianos – a não ser o pálido eco de um passado que já se dissolveu nas calendas.

 

 

O que aconteceu com Marconi vai além de uma derrota, já ruim, chegando a se caracterizar como uma aniquilação. Que ele buscou com as mãos ao se propor uma campanha de agressões e ataques ao governador Daniel Vilela, líder de todas as pesquisas de credibilidade publicadas desde o final de 2025. A brutal rejeição ao ex-governador, sentimento comum de mais da metade do eleitorado, não cedeu um milímetro sequer, ao contrário, acabou estimulada pelo discurso errático, raivoso e desrespeitoso dirigido ao adversário – e ele pagou caro diante do efeito rebote, com a queda incontrolável dos seus índices nas pesquisas, inicialmente até 24%, mas na manifestação das urnas limitados a reles 8,69%, um vexame monumental.

 

 

Resta Wilder Morais, o homem do queixo erguido, linguagem corporal clássica da arrogância e da prepotência. À sua crônica falta de qualidades pessoais para uma candidatura de tamanha importância quanto a de governador de Estado, Wilder agregou erros graves de estratégia. Apostou no voto ideológico em uma disputa marcada pelo desejo coletivo de continuidade para as gestões de Caiado, esperou infrutiferamente um surto bolsonarista na reta final da corrida, investiu sem retorno no seu perfil de pobre que virou rico como exemplo para as classes que sonham em subir na vida, não ganhou um único voto com a filha de Iris Rezende, Ana Paula, na vice, e, imprudentemente, lançou-se candidato impondo sua vontade sobre um partido, o PL, cuja maior parte postulava uma composição com a base governista (o mesmo acordo cuja ideia continua de pé, a partir do apoio de Caiado e Daniel a Flávio Bolsonaro no 2º turno).

Em resumo, Caiado e Daniel, reconheça-se, agiram o tempo todo como se Daniel estivesse atrás nas pesquisas, empenhando-se de corpo e alma e com os melhores lances de inteligência e sagacidade eleitoral. Quanto a Wilder e Marconi, é difícil estabelecer qual dos 2 foi o pior. Matematicamente, Marconi, não há o que discutir. Mas Wilder também saiu fragilizado do 4 de outubro, ao provar a sua inaptidão para se meter em um processo para o qual não tinha e nunca teve competência mínima para se habilitar a um jogo cujo escopo é o futuro de Goiás.

 

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