Grupo de deputados anti-Issy na presidência da Assembleia age na contramão da política
As articulações para a definição do próximo presidente da Assembleia Legislativa, a ser eleito pelos deputados que tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027, seguem a todo vapor, apesar dos 3 meses de antecedência. Isso é normal. O cargo vale ouro. Comanda milhares de nomeações, amplos recursos financeiros e a faculdade de distribuir benesses milionárias aos 41 parlamentares que comporão a próxima Legislatura.

Mais cotado até o momento? Issy Quinan, um dos 22 reeleitos. Ele é o que aparenta reunir mais apoios, inclusive entre os 19 novatos. Em um erro de cálculo, os reeleitos fizeram uma reunião logo após as urnas de 4 de outubro e tornaram pública a decisão de que seria restrita a eles a decisão sobre a futura Mesa Diretora. Ora, foi o mesmo que um tapa na cara daqueles que vão assumir o mandato pela 1ª vez. Com rapidez, Issy Quinan enxergou com clareza o campo de batalha e correu para fechar apoio majoritário por parte dos 19 calouros.

Mas um time de 6 deputados, dos reeleitos, tenta se organizar para se contrapor a Issy. São eles(nas fotos acima): Cairo Salim (MDB), Charles Bento (MDB), Jamil Calife (PP), Wilde Cambão (União Brasil), Virmondes Cruvinel (União Brasil) e Wagner Neto (SD), todos vinculados ao descalabro administrativo em que o Poder foi transformado pela gestão de Bruno Peixoto (denunciado em manchete principal da Folha de S. Paulo). Esse é o grupo que teve a ideia – burra, pelo menos quanto a divulgação – de fechar questão para assegurar nas suas mãos o controle da Assembleia. Quando vai para a guerra, um exército não torna públicos seus planos e estratégias. Regra elementar, que, no caso, foi deixada de lado. Por fora, mas estreitamente vinculado a esse sexteto, ainda corre Talles Barreto (União Brasil), esperto o bastante para manter distância do amadorismo e da infantilidade políticas.
Não é só. No tal grupo de 6 deputados – que o Jornal Opção chama de G6 -, todos os 6 são também candidatos à presidência. Fácil concluir que, entre eles, crepita o fogo da desconfiança e o receio de jogadas pelas costas de um ou de outro. Isso pode ser observado com nitidez nas notinhas plantadas no noticiário político, nas quais cada um – Salim, Bento, Calife, Cambão, Virmondinho (lembrem-se, leitoras e leitores, todo apelido no diminutivo é sempre pejorativo), e Wagner – ardilosamente tenta direcionar as preferências para si próprio. Ah, alguém dirá, há um pacto entre eles no sentido de que o mais bem posicionado, lá na frente, receberá a unção como o candidato dos demais. Seria crível, não fora a certeza de que os inevitáveis golpes e as manobras, daqui até lá, acabarão gerando arestas de parte a parte. De restos, onde há 6 pretendentes a algo que se resume em apenas uma vaga, não há nenhum.
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O chamado G6, portanto, começou com o pé esquerdo, ao reunir ambições pessoais na prática incompatíveis: todos os seus 6 deputados perseguem o mesmo troféu, sendo óbvio assim que estão partindo de uma base já dividida por natureza. Isso não leva muito longe. Como reza o ensinamento bíblico, uma casa dividida não prospera. E menos ainda na política, um campo fértil para traições, deslealdades e rasteiras. O caminho para Issy Quinan, portanto, com a ajuda da concorrência, está pavimentado. Falta, como sempre, uma maior transparência sobre propostas e ideias para a recuperação moral de uma Assembleia hoje degradada pela irresponsabilidade administrativa de Bruno Peixoto.