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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 jan

Marconi vive pesadelo com o fim do PSDB e iminente absorção das sobras pelo MDB ou PSD

 

O PSDB acabou. Não há novidade alguma nessa afirmação. Vítima das suas contradições e erros graves, o partido definhou até chegar a um estágio de premente dissolução. Não passa de março ou abril. Até lá, o que restou no comando nacional do partido – leia-se: os ex-governadores Márcio Perillo, o presidente formal, e Aécio Naves, quem manda de fato – vai decidir por uma fusão, melhor dizendo, incorporação dos cacos tucanos  ao MDB ou ao PSD. E é agora que vem a notícia ruim para Marconi.

Aécio defende com unhas e dentes uma agregação ao MDB, legenda hoje sem um cacique dominante como é o caso do ex-ministro Gilberto Kassab no PSD, onde, portanto, o espaço é muito maior para os remanescentes do PSDB. Marconi, mesmo assim, prefere o PSD, para não passar pelo constrangimento de se transformar em uma figura ainda menor em Goiás, abaixo do vice-governador Daniel Vilela, presidente estadual do MDB – com o qual, é óbvio, não tem a mínima condição de convivência.

Pode sair de tudo do balaio de gatos em que se transformou o PSDB. Mas parece saltar a conclusão de que, para Marconi, as perspectivas são sombrias. Não se deve descartar a hipótese de que ele vá parar em uma sigla de menor porte, como o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, por exemplo. Só que aí ele se tornaria mais um apoiador do presidente Lula, hoje conduzindo um barco repleto de furos rumo a uma derrota em 2026. Seria uma decisão eivada de incertezas. Pelo sim, pelo não, o ex-governador goiano vive um período de noites mal dormidas, sem saber em qual cama acordará no dia seguinte. Não há muitas disponíveis.

 

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Qualquer que seja o seu novo partido, Marconi enfrentará dificuldades terríveis na tentativa de ressuscitar e reconstruir a sua carreira política. Pior ainda, estará condenado a passar por constrangimentos. Seu futuro, além de uma candidatura a deputado federal talvez até por um partideco de aluguel, não vale um tostão furado, por ora. Deve ser por isso que ele radicalizou o seu discurso em Goiás, esmerando-se para chamar atenção com postagens para lá de agressivas e injuriosas contra o governador Ronaldo Caiado e o vice Daniel Vilela. Para o público nacional, fala em preocupações com “o Brasil do futuro” e repete que o PSDB deve buscar abrigo em uma agremiação “com a mesma visão ideológica”, ou seja, de centro. Trololó, apenas. No fundo, ele aceitará qualquer destino, menos parar no MDB, como quer Aécio e a maioria dos tucanos. Seria muita humilhação.