CPMI do INSS sem ninguém de Goiás confirma a irrelevância da nossa bancada federal
A atual bancada federal de Goiás em Brasília – 3 senadores e 17 deputados federais – é a mais inexpressiva, irrelevante e apagada da história política de Goiás e integra, na sua quase totalidade, o baixíssimo clero do Congresso Nacional. Na sua quase totalidade porque, até certo ponto, é preciso reconhecer a lamentável exceção de Gustavo Gayer. Não em conteúdo, porém, digamos assim, em termos de lacração: Gayer é o único que consegue aparecer no noticiário nacional e nas articulações dentro da Câmara, ainda que na maioria das vezes de forma desabonadora, com ações e atitudes que já o levaram a ser classificado como “figura abjeta” pelo jornal Folha de S. Paulo, em uma matéria do colunista Luís Nassif. Pelo bem ou pelo mal, esse goiano bolsonarista radical é portador de alguma visibilidade e costuma atrair atenção dentro da Câmara.
No frigir dos ovos, exercer um mandato legislativo nacional, para os parlamentares de Goiás no Congresso, equivale a exclusivamente captar e distribuir emendas orçamentárias para os municípios. Só isso. Nossos senadores e deputados federais, de todos os partidos, se esmeram no papel de despachantes de luxo para os prefeitos aliados, buscando garantir apoio para as próximas eleições com verbas da União – nada mais. Um exemplo da insignificância da bancada federal do Estado é CPMI que começou a apurar a roubalheira no INSS, que promete ser um dos grandes centros de interesse da imprensa nacional daqui até o fim do ano: dos seus 64 membros, 32 titulares e 32 suplentes, meio a meio entre senadores e deputados, não há ninguém de Goiás (veja aqui reportagem do site Metrópoles com a composição da CPMI).
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A CPMI do INSS é só mais um exemplo a atestar o apagão da representatividade de Goiás no Congresso Nacional, depois de um passado de glórias marcado pela passagem de um time de respeito tanto pelo Senado (Pedro Ludovico, Iris Rezende, Henrique Santillo, Maguito Vilela, Marconi Perillo, Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado) como pela Câmara (houve tantos deputados federais ilustres e atuantes por Goiás que nem haveria espaço aqui para citar todos eles). Isso, no entanto, é pura memória. Há tempos que essa qualidade foi jogada pelo ralo, troca por um nível primário e primitivo de políticos empenhados na sua própria perpetuação como senadores ou deputados, sem qualquer traço de brilho institucional ou de envolvimento das questões de fundo que realmente interessam ao país e ao futuro das goianas e dos goianos.