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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 dez

Bem situado nas pesquisas por ora, Vanderlan não deveria se iludir: ele sempre cai e perde

 

Candidato à reeleição, o senador Vanderlan Cardoso (PSD) vem se saindo bem nas pesquisas: em algumas, embora de credibilidade baixa, aparece até em 1º lugar, empatado com a primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÃO), ou na 2ª posição, à frente do deputado federal Gustavo Gayer (PL), segundo institutos considerados sérios. Resultado: aqui e ali, Vanderlan dá declarações dizendo-se “feliz” com o que chama de “reconhecimento” do povo goiano pelo seu trabalho na Câmara Legislativa número um do país e se mantém esperançoso quanto a ser chamado para figurar na chapa governista – ao lado de Daniel Vilela para governador e de Gracinha na 1ª vaga senatorial, o que, hoje, corresponde a um significativo acréscimo de chances para a vitória nas urnas, caso as coisas sigam como estão.

Bom para o senador? Sim. Uma prova incontestável de que ele tem recall e resiliência na opinião pública. E, teoricamente, possibilidades de vencer em 2026. Mas os antecedentes de Vanderlan com pesquisas são preocupantes. Em pleitos passados, ele também chegou a aparecer inclusive na ponta, para perder, no final. Um exemplo recente deu-se em 2024, na disputa pela prefeitura de Goiânia. Em março daquele ano, a apenas seis meses da data da votação, o agregador de índices da CNN reuniu os dados apurados por inúmeros institutos e cravou Vanderlan com 21%, na média. Detalhe: em 1º lugar.

Como se recorda, ele terminou a corrida em um humilhante 5º lugar, com menos de 7% ou reles 40 mil sufrágios, atrás do apresentador Matheus Ribeiro, do PSDB. Fred Rodrigues (PL) e Sandro Mabel (UNIÃO) foram para o 2º turno, vencido com facilidade por Mabel em uma virada impulsionada pelo apoio do governador Ronaldo Caiado. Ou seja: Vanderlan largou na liderança, para em seguida despencar ladeira abaixo, isolado em um palanque sem políticos de peso e totalmente perdido quanto a propostas para o futuro da capital. Não foi a sua primeira má experiência. Houve outras. Para 2026, mais uma vez sozinho, sem lealdade a nenhum grupo, inassessorável e, pior ainda, se reeditar o seu tradicional modelo de marketing barato e equivocado, fatalmente estará condenado a uma derrota.

 

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Vanderlan não deveria se iludir com o seu desempenho atual nas pesquisas. O que ocorre é apenas um fenômeno de recorrência do seu nome, tal qual aconteceu antes, em um instante em que o eleitorado não tem noção exata do cenário que se instalará na parada senatorial, desconhecendo as candidaturas. Gracinha Caiado, óbvio, é a mais lembrada. Depois, ele e Gayer. A sabedoria primitiva ensina que gato escaldado costuma ter medo de água fria. Isso deveria servir para o senador e sua ambição de se reeleger, evitando se autoenganar depois de um mandato fraco, sem uma marca atraente e basicamente pautado pela distribuição de máquinas para os municípios, solamente. E ainda por cima acusado de traição ao bolsonarismo, que caminha para lançar um representante legítimo – e antagonista frontal de Vanderlan, no caso, Gustavo Gayer, destinado ao papel de sorvedouro do 2º voto (o 1º irá para Gracinha). É o que se chama de tempestade perfeita para levar a uma queda e a um novo desfecho infeliz.