“Efeito garupa” ameaça Gayer e pode levar o PL a compor com Daniel
Existe hoje uma expectativa muito disseminada quanto ao desfecho das eleições para o Senado em 2026, em Goiás, quando duas vagas estarão disponíveis: ninguém duvida de que a primeira-dama Gracinha Caiado terminará a disputa em 1º lugar, com as pesquisas desde já indicando o deputado federal Gustavo Gayer na 2ª posição. Esse é o cenário desenhado a um ano para a data das urnas. No entanto, há variáveis que podem abalar e reduzir as chances de Gayer. De Gracinha, não. Em quaisquer circunstâncias, ela é dada como uma aposta certeira, repetindo, para a 1ª vaga.

Gayer está bem, mas precisa superar uma fragilidade potencial: se sair isolado pelo PL, compondo na chapa de Wilder Morais para governador, é óbvio que a sua campanha terá menos força do que na hipótese de uma aliança do seu partido com o MDB-UNIÃO, garantindo um lugar no palanque de Daniel Vilela para o Palácio das Esmeraldas. Nesse caso, as possibilidades do bolsonarista mais radical de Goiás cresceriam exponencialmente, ao receber o apoio do maior exército eleitoral que irá às ruas em 2026. Digamos que, em princípio, não seria exagero nessa situação prever com segurança uma vitória da dupla Gracinha-Gayer, contra a qual não há, pelo menos por ora, concorrentes com capacidade para representar uma ameaça séria para os dois.
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Mas um acordo entre o MDB-UNIÃO e o PL, já cogitado até pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, logicamente produziria como consequência a não-candidatura de Wilder Morais. Não exatamente um “sacrifício” de Wilder porque o seu desempenho nas pesquisas tem sido de médio para ruim: enquanto Daniel Vilela lidera com 42,5% das intenções de voto, conforme a última Atlas/Intel, o senador chega a 16,5%, empatado dentro da margem de erro com Marconi Perillo, esse com 15,6%, e Adriana Accorsi, com 15,4%. Fora isso, a candidatura de Wilder ao governo do Estado não desperta entusiasmo aparentemente nem dele mesmo, chamado de “morno” pelos poucos correligionários e visto como um político (se é que pode ser chamado assim) insosso, sem carisma, totalmente carente de discurso, agarrado apenas ao bolsonarismo – sim, um segmento ideológico influente em Goiás, mas limitado a 18% da população (última pesquisa Genial/Quaest) e sempre batendo na trave ao competir em eleições estratégicas, como se viu em 2024 com as derrotas de Fred Rodrigues, em Goiânia, e Professor Alcides, em Aparecida, ambos do PL. Eles chegaram a liderar, sem, contudo, conquistar o prêmio final.

Para “estimular” a junção do PL ao MDB-UNIÃO no ano que vem, vale registrar ainda um fator de extrema importância: o chamado
“efeito garupa”, pelo qual a abundância de energia da candidatura de Gracinha Caiado tracionaria qualquer um lançado ao seu lado, fenômeno que já aconteceu antes em Goiás (Iris Rezende levou o inexpressivo Mauro Miranda com ele em 1994). Se Gayer se lançar amparado somente pelo PL, só com o PL, correrá o risco de perder ao enfrentar a chapa governista com Gracinha e um segundo nome aliado (Gustavo Mendanha, por exemplo, ganharia uma oportunidade de ouro, mesmo porque trafega à vontade pelo eixo eleitoral de Goiânia e Aparecida, o maior do Estado). O “efeito garupa” em um pleito com duas vagas senatoriais é real: um candidato a caminho de uma votação consagradora arrastando outro nem tanto assim. É aí que Gayer acabaria prejudicado, a menos que seja ele o escalado para acompanhar Gracinha, como escopo de um arranjo entre o PL e o MDB-UNIÃO, unindo no mesmo jacá os votos próprios, que não são poucos, e os da base governista.