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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 fev

Estratégia de Caiado inviabiliza adversários e limpa o caminho para Daniel

Em tempos pretéritos, o governador Ronaldo Caiado foi acusado de incapaz para a articulação política e de não ir muito adiante da condição de parlamentar combativo, exclusivamente dedicado a embates frontais no Congresso Nacional. Pois bem: essa avaliação estava equivocada e quem acreditou nela pagou caro pelo erro. Caiado, a partir da sua 1ª eleição para o Palácio das Esmeraldas, em 2018, provou seguidamente ser um mestre das negociações de bastidores, com uma sequência de vitórias impressionantes para a carreira de qualquer político.

Na reeleição, em 2022, ele tirou de cena todos os adversários, restando no final apenas ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, radicalmente isolado, sem partidos e sem apoios de peso, e o estranho no ninho Major Vitor Hugo, um forasteiro completo, sem vínculos anteriores com Goiás. Ambos, somados os votos, mais o candidato do PT, o ex-reitor da PUC Wolmir Amado, assistiram imobilizados à recondução do governador… em 1º turno.

Uma das regras básicas para vencer uma guerra é segregar o oponente e deixá-lo enfraquecido, sem ter a quem recorrer para buscar ajuda. Caiado fez isso em 2022 e é isso que está repetindo agora, fortalecendo Daniel Vice, o delfim escolhido para a sua sucessão. É possível que, no final das contas, Daniel venha a encarar uma eleição sem antagonistas, em uma situação rara só vista com Caiado até o momento. Desde 40 anos atrás, quando a redemocratização chegou e o pleito direto para o governo dos Estados voltou, as figuraças do então MDB, depois PMDB, e do PSDB, sempre se depararam com competidores que poderiam tê-los suplantado porque detinham condições para isso (Marconi Perillo, por exemplo, bateu-se nas suas 4 eleições para governador nada mais nada menos do que com Maguito Vilela e com Iris Rezende).

 

 

No caminho de Daniel Vilela, graças ao trabalho de pavimentação política e partidária de Caiado, há cada vez menos obstáculos. Todos os partidos de algum significado, à exceção do PT (irrelevante em eleições majoritárias estaduais), e o PSDB (uma sigla conhecida, mas 100% aniquilada tanto nacionalmente quanto em Goiás), subirão no palanque de Daniel. Os últimos a serem agregados foram o PL e o PSD, de onde provavelmente nasceriam dissidências (como a candidatura de Wilder Morais pelo primeiro ou com as manobras de Vanderlan Cardoso para forçar a sua reeleição e com isso buscar espaço provavelmente na chapa de Marconi Perillo, se é que essa chapa existirá). Caiado, pessoalmente, se encarregou de assegurar a inclusão das 2 legendas na campanha da base governista, o PL direcionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ocupar com Gustavo Gayer a 2ª vaga senatorial, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, e o PSD como decorrência da sua própria filiação.

 

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Goste-se ou não do governador, ele mais uma vez dá uma aula de política bem-sucedida. Na verdade, a própria atração de Daniel Vilela e do MDB para o seu grupo – um movimento sem precedentes na história recente de Goiás – já foi uma demonstração clara do estilo inovador de Caiado quando se trata de montar cenários e planejar a conquista de metas. Ele, de fato, sabe o que faz. E Daniel é o grande beneficiário, ao encarnar também a garantia de que a sua vitória representa para a preservação do legado construído a partir de 2019. Como Caiado, ninguém jamais chegou a resultados tão positivos no governo do Estado desde que o Conde dos Arcos assumiu o comando da Capitania de Goiás, por volta dos anos 1750.