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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 mar

Fraquezas de Wilder, Marconi e da esquerda esvaziam a oposição em Goiás

Poucas vezes em sua história Goiás contou com uma oposição tão fraca. A base governista, que lançou neste sábado, 14 de março, a candidatura do vice-governador Daniel Vilela, cujos antagonistas, pelo menos por ora, serão o senador Wilder Morais, do PL; o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB; e um nome ainda indefinido que vai representar a praticamente inexistente esquerda estadual, que pena para sobreviver no canto do país considerado o mais bolsonarista de todas as Unidades da Federação.

 

 

Daniel Vilela entrou oficialmente na corrida pelo Palácio das Esmeraldas com o discurso pronto: continuidade administrativa, que as pesquisas apontam como o mote que vai mobilizar o eleitorado neste ano, majoritariamente a favor da preservação das conquistas que ornamentam, com sobra, a gestão bem-sucedida do governador Ronaldo Caiado. Dentre elas, a melhor segurança pública do Brasil. Com certeza, Daniel vai falar em dar sequência a tudo o que Caiado fez, mas procurando avançar – e talvez nem haja necessidade desse acréscimo. Manter o que está aí já será mais do que suficiente para justificar uma eleição.

Wilder Morais não tem outra saída senão se agarrar ao mote da direita ideológica, bolsonarista, radical. O que ele já vem entoando ao repetir, cansativamente, a mesma frase feita que pontua todas as suas declarações públicas: “Nós, da direita…” e por aí vai. Montado em um partido dividido, sem prefeitos (apenas 12 foram à festinha em que se anunciou postulante ao governo do Estado), carecendo da falta de unidade inclusive dentro da sua chapa (já que Gustavo Gayer está praticamente rompido com ele), o senador-empresário propõe, no fundo, uma espécie de mudança em relação aos tempos de Caiado que a população, podem apostar, leitoras e leitores, simplesmente não quer e pode até assustar o público bolsonarista e levar para Daniel Vilela uma parte dos votos do segmento.

O projeto de Marconi Perillo, diga o que disser, tem identificação automática com um movimento de volta ao passado. Essa é a sina de governantes que tiveram seus momentos de acerto e não conseguem se libertar do que imaginam como um “legado” a defender, o que, agregando-se a escândalos de desvio de dinheiro público, provocou a ruína de Iris Rezende e agora traga Marconi para o mesmo buraco. Para piorar, o tucano, apresentando-se como pretendente a governador, também se conecta irremediavelmente à mesma bandeira de alteração de rumo empunhada por Wilder Morais e recusada, segundo as pesquisas, pela maioria das inscritas e dos inscritos para teclar nas urnas eletrônicas em 4 de outubro vindouro.

 

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E a esquerda? O PT e seus associados não dispõem de um nome de mínima densidade eleitoral, política ou moral, diante da obrigação de lançar os seus melhores quadros para a Câmara Federal, na tentativa de formar bancadas capaz de garantir o acesso a fatias gordas dos fundos partidário e eleitoral – obsessão de todas as siglas, sem exceção. Com essa determinação da cúpula nacional, que os petistas goianos sovieticamente obedecem sem criar caso, gente de peso maior como Adriana Accorsi, Rubens Otoni e Edward Madureira vai concorrer a mandatos de deputado federal, o que fragilizará a chapa majoritária (prevendo-se que nem candidatos a senador de alguma expressão haverá). A oposição de esquerda em Goiás, portanto, está mortinha da silva.

Tudo isso compõe um cenário favorável para Daniel Vilela, somando-se a fatores que envolvem a sua condição estratégica (assume o governo logo nos primeiros dias de abril) e as suas qualidades pessoais e políticas, dentre as quais é muito forte a simbologia de renovação geracional que encarna. Só que não existem eleições ganhas por antecipação. O delfim de Caiado atua desde já para mobilizar os 200 a 210 prefeitos aliados, que, a propósito, estiveram todos no encontro de aceleração da pré-campanha em Jaraguá, no último fim de semana. É uma máquina poderosa que está começando a girar e parece não restar a Wilder e a Marconi muito o que fazer (com a esquerda descartada) para uma virada de mesa dentro de um quadro que parece consolidado muito além das suas possibilidades.