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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 maio

Por conta própria, eleitorado monta “chapa” para o Senado com Gracinha e Gayer

A última pesquisa Real Time Big Data(credibilidade em alta), instituto da Rede Record, sobre a corrida pelo Senado em Goiás, mostra que o eleitorado resolveu ignorar o fiasco do acordo entre a base governista e o PL para montar, por conta própria, uma “chapa” com a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÃO) e o deputado federal Gustavo Gayer (PL). Como se sabe, uma composição para incluir Gayer na 2ª vaga senatorial, ao lado de Gracinha, em troca do apoio do PL à candidatura a governador de Daniel Vilela, chegou a ser dada como certa, mas acabou frustrada pela insistência suicida do senador Wilder Morais em lançar o seu próprio nome para o Palácio das Esmeraldas.

 

 

A aliança do PL com a base governista teria o condão de tornar Daniel Vilela praticamente eleito por antecipação, ao mesmo tempo em que garantiria a Gayer o sonhado mandato na mais alta Câmara Legislativa do país para ajudar o bolsonarismo a aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Tratava-se de um projeto tão poderoso que, mesmo inviabilizado pela teimosia de Wilder, acabou assumido informalmente pelas goianas e pelos goianos – conforme comprovado pela recente apuração de intenções de voto realizada pelo Real Time Big Data, através de números esmagadores: na disputa pelas 2 cadeiras senatoriais, Gracinha lidera com 29% pontos e Gayer fecha a 2ª vaga com 17%.

Na sequência, aparecem o deputado federal Zacharias Calil (MDB) com 13%; o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que busca a recondução, caindo para 8%; o ex-deputado federal Alexandre Baldy (PP), com 7%; o vereador por Goiânia, Oséias Varão (PT), cravando 6%; o ex-deputado estadual Delegado Humberto Teófilo (Novo), com 5%; e o professor Marcelo Moreira (PSOL), meros 2%. Quer dizer, a par de explicitar de vez uma tendência claríssima que vinha se insinuando nas pesquisas anteriores de institutos como o Genial/Quaest e o Atlas/Intel, esse ranking delineado pelo Real Time enfim criou visibilidade para situações mais do que esperadas após a definição do cenário de candidaturas ao Senado por Goiás.

 

 

Com as pesquisas se sucedendo, fica atestado que Zacharias Calil estava coberto de razão ao se propor como uma alternativa competitiva para a base governista. Hoje na 3ª posição, ele teoricamente conta com chances consistentes de arrebatar o 2º lugar. Além disso, as previsões negativas sobre Vanderlan Cardoso parecem a caminho da confirmação: o empresário dos salgadinhos Mycos perdeu o pique para a sua tentativa de reeleição e se condenou a repetir a mesma trajetória das suas últimas campanhas, quando sempre começava na liderança e em seguida entrava em queda contínua até terminar pessimamente colocado (para prefeito de Goiânia, em 2024, chegou a ostentar o 1º lugar, para desabar para o 5º lugar no boletim oficial de apuração do TRE).

 

 

Agora, para o Senado, Vanderlan amarga o gosto de reprise ao decepcionar na lista do Real Time Big Data ocupando o 4º lugar (8%), praticamente empatado com Alexandre Baldy, esse em 5º (7%) pela diferença de apenas 1 ponto. Sinal de que as urnas de outubro devem trazer más notícias para o milionário de Senador Canedo, aliás como consequência das dificuldades que ele vem encontrando para prestar contas dos seus 7 anos e meio no Senado e não dispor de nada a apresentar às suas eleitoras e seus eleitores do que um balanço repleto de… páginas em branco.

 

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A 20 semanas da eleição, é fato acima de qualquer dúvida o favoritismo absoluto de Gracinha Caiado para a 1ª vaga no Senado, enquanto, no caso de Gayer, ainda há um caminho a percorrer, com a vantagem de um clima otimismo crescente. Sim, houvesse a composição da base governista com o PL, estaria seguro. Pendurado à força e contrariado na chapa aventureiresca de Wilder Morais, riscos existem. O maior deles é o efeito de arrasto da candidatura de Gracinha e do poderio da máquina de campanha montada a favor de Daniel Vilela, capazes, com folga, de influenciar a decisão do 2º voto senatorial a favor de Zacharias Calil. Isso já se desenhou nas pesquisas. Mais um pouco e se converte em uma força irresistível.