Eventos esvaziados em série fragilizam a candidatura de Wilder
Enquanto continuam a chegar pesquisas que confirmam a estagnação do senador Wilder Morais (PL) na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, sem crescer um reles pontinho percentual desde o anúncio oficial da sua candidatura, há mais de 2 meses, outro fator chama atenção e concorre para complicar as coisas para o milionário dono da Construtora Orca: os eventos organizados para “impulsionar” a sua, digamos assim, pré-campanha seguem esvaziados e marcados pela baixa afluência de prefeitos e lideranças políticas de peso mínimo.
Em um esforço para mostrar alguma iniciativa, Wilder investiu em uma agenda de encontros regionais, pelo interior afora, sob a denominação de Rota 22 (22 é o número do PL nas urnas). Fez uns 4 ou 5, aproveitando o plenário de Câmaras Municipais – que, regra geral, não possuem capacidade para acolher plateias expressivas e por isso mesmo se prestam a disfarçar a ausência de interessados em ouvir a “pregação” do senador. Finalmente, promoveu um em Anápolis, que acabou em fiasco retumbante. Nem o prefeito da cidade, Márcio Corrêa, eleito pelo PL, compareceu (no mesmo horário, postou no Instagram uma foto inspecionando obras). Gustavo Gayer, o nome do partido para o Senado, também não foi.
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O mal afamado Rota 22 poderia ter se encerrado nesse dia aziago em Anápolis, discretamente. Mas Wilder resolveu partir para um grande fechamento do “programa”, com um almoço festivo na sua cinematográfica chácara em Nerópolis, no último dia 16. Comida e bebida à vontade. Tudo para se constituir em um sucesso. Durante 10 dias, a assessoria do candidato e o próprio telefonaram para centenas de políticos, em especial prefeitos. Seja como reflexo das pesquisas ruins, seja como produto das próprias dificuldades de Wilder em se apresentar como um postulante convincente ao governo estadual, o fato é que o convescote terminou em desastre.

Segundo o Jornal Opção, dos esperados 300 convidados ou mais, só apareceram para a comilança cerca de 30. “Encontro de Wilder Morais, no lugar de injetar ânimo, reforçou o desânimo entre membros do PL”, foi a conclusão óbvia da matéria (leia aqui). Mas, atenção, leitoras e leitores: na foto acima, podem ser contadas 60 pessoas mais ou menos. Descontando-se o próprio anfitrião e esposa, a sua vice Ana Paula Rezende, alguns deputados (como o federal Gustavo Gayer) e vereadores, sobram 50 pessoas, número absolutamente insuficiente para caracterizar o êxito de um evento em qualquer pré-campanha (e que, dentro da margem de erro, comprova a contagem do Jornal Opção). Logo, repetindo a avaliação do parágrafo anterior, o que aconteceu foi mesmo um revés político, contribuindo para fragilizar a candidatura de Wilder.
Como havia pelo menos um jornalista presente (Rafael Tomazeti, do portal Diário de Goiás), não foi possível esconder ou manipular o balanço negativo do ato final do Rota 22, mesmo porque o site publicou a foto denunciadora do fracasso da reunião. Se alguém imaginou fortalecer Wilder e passar a impressão de que ele está agindo proativamente para “vender” o seu nome para o eleitorado, o efeito se deu exatamente no sentido contrário. A imagem hoje consolidada é a de que o representante do PL não tem experiência política ou eleitoral compatível com o tamanho da sua ambição, mas não apenas essa carência: faltam também preparo pessoal e virtudes intelectuais para atrair os votos necessários em outubro próximo.