1ª entrevista de Luis Cesar como candidato do PT a governador foi… decepcionante
Fala bem. Mostra raciocínio claro e lógico. É, enfim, um dialeta nato. Mas é só: subjugado pela obrigação de defender Lula e o PT a qualquer custo, o candidato petista ao governo de Goiás Luis Cesar Bueno estreou mal a sua campanha de mídia no Jackson Abrão Entrevista, no portal de O Popular. Foi a primeira fala extensa de Luis Cesar após a oficialização do seu nome como representante da esquerda goiana na corrida pelo Palácio das Esmeraldas nas eleições deste ano. Decepcionou.
De alguém que, pelo menos em tese, se apresenta para liderar um Estado por 4 anos, espera-se que ostente ficha limpa (Luis Cesar tem), pensamento articulado (tem), boa presença cênica (também tem) e, o mais importante de tudo, conteúdo. Ou seja: ideias. Indo mais adiante: propostas para a população. Como escopo, um nível de informação e consciência sobre a realidade sobre a qual pretende intervir, caso eleito. Disso, Luis Cesar não passou nem perto na conversa com Jackson Abrão e o repórter Rubens Salomão.
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Omitir-se sobre projetos de governo e contornar a obrigação de deixar clara a sua visão de futuro (e a do seu partido ou grupo político) é crime grave quando se trata de um postulante a mandatos eletivos, em especial no caso de cargos executivos. O pecado de Luis Cesar tem uma origem: a santa obsessão pela figura de Lula, que obnubila e reduz ao primitivismo todos no PT, sem exceção. Para defender o guia supremo da esquerda brasileira, todo e qualquer petista não hesita em apequenar-se e sacrificar os seus interesses e até a sua própria pessoa. Daí que Luís Cesar quer ser governador não para buscar uma situação melhor para Goiás, porém com o único propósito de contribuir com a reeleição de Lula, neste ano, e se desdobrar depois para assegurar a continuidade perpétua do PT no poder.

Que candidato é esse que se exibiu tão mal no diálogo com Jackson Abrão e Rubens Salomão? Um desfibrado intelectual, sem cabeça própria, paupérrimo em conceitos políticos amplos, sem nada para oferecer a não ser a devoção absoluta e apaixonada ao chefe supremo, repetida a cada 5 ou 6 frases. Que argumenta, para justificar o voto em si próprio e em Lula, com um legado” de obras das quais ninguém se lembra mais (porque incluídas no dia a dia das cidadãs e dos cidadãos): rodovias asfaltadas ou duplicadas, aeroporto de Goiânia, universidades em Catalão e Rio Verde, Ferrovia Norte-Sul, estação de tratamento de água de Goiânia e por aí afora, o que, na prática, significa que o candidato está cobrando voto como pagamento obrigatório para o que foi construído ou feito com… dinheiro público.
É uma vergonha recorrer a alegações eleitorais tão descabidas assim. Ninguém vota olhando para trás. Churchill conduziu a Inglaterra à vitória na 2ª Guerra, mas perdeu a eleição logo após a proclamação da paz porque as inglesas e os ingleses estavam interessados na reconstrução do país e aprovaram as reformas oferecidas pelos adversários desse grande homem. Votaram para a frente. De resto, sabe-se que os investimentos do governo federal, historicamente, correspondem a valores menores que os recursos tributários aqui arrecadados. E mais ainda: Lula, em especial sempre foi suspeito de nutrir uma ojeriza tremenda por um Estado onde ele só ganhou uma das suas 7 eleições, tanto que chegou a passar quase 15 anos sem assentar os pés em território goiano, onde raramente aparece.
De novo: faltou o essencial na entrevista de Luis Cesar. Propostas, ideias, planos, rumos para melhorar a vida em Goiás. É o que se quer ouvir de quem ambiciona uma cadeira tão estratégica e decisiva quanto a de governador. Que diga a que vem, não repetir como um papagaio que em 1º lugar está a reeleição de Lula. Pleitos estaduais, tradicionalmente, sempre se vincularam fracamente ao cenário federal. Não se conectam. Luís Cesar ficou devendo. E também um pedido de desculpas ao agro por afirmar, sem provas, que agricultores e pecuaristas goianos pegam dinheiro no Banco do Brasil para comprar pick-ups ou imóveis nas cidades, momento tétrico da sua entrevista. É injusto e pegou mal.