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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jun

Um não gosta do outro: falta de química entre Wilder e Gayer prejudica os dois

Um partido rachado é receita certa para o insucesso nas urnas. É o caso, agora, do PL em Goiás, desmembrado em 2 grupos a partir da candidatura forçada de Wilder Morais ao governo estadual, cujo reflexo imediato foi o enfraquecimento do nome de Gustavo Gayer para o Senado. Gayer, como se sabe, queria uma composição pragmática do PL com a base governista, que daria a ele a 2ª vaga senatorial, ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado, na chapa muito mais competitiva de Daniel Vilela – aumentando exponencialmente as suas chances de sucesso em outubro próximo.

Em uma manobra até hoje mal explicada, Wilder Morais atropelou o pré-acordo já desenhado entre o PL e a ampla aliança político-eleitoral que banca Daniel Vilela e impôs o seu projeto pessoal com vistas ao Palácio das Esmeraldas. Gayer foi escanteado. Ou melhor: acabou obrigado a figurar na chapa pura de Wilder como candidato ao Senado. Um verdadeiro desastre, ao confinar Gayer ao apoio do eleitorado bolsonarista, afastando os votos que viriam de outros segmentos com a sua inclusão no palanque de Daniel Vilela – o maior e o mais poderoso da presente temporada eleitoral, repleto de siglas e lideranças de peso pelo Estado afora.

 

 

Ambos, Wilder Morais e Gustavo Gayer, já andaram juntos, mas nunca mantiveram laços sólidos. Em tempos idos, participaram lado a lado de manifestações bolsonaristas e eventos da extrema direita aqui e acolá, tanto em Goiânia como em Brasília e São Paulo. Só que, depois do lançamento de Wilder, distanciaram-se, com uma exceção: Gayer foi a um convescote na milionária fazenda do senador em Nerópolis, quando fez um discurso – atenção, leitoras e leitores – enfatizando a importância da eleição de senadores bolsonaristas, para, no futuro, ajudar no impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Sobre o governo de Goiás, passou em brancas nuvens.

Dizem as más línguas que um não vai pedir voto para o outro. E que inexiste química entre eles. O Jornal Opção ouviu aliados de cada um e concluiu que “o senador Wilder Morais não se entusiasma nem um pouco com o deputado Gustavo Gayer, pré-candidato a senador pelo partido. Por isso, o mais provável é que Wilder não vai pedir voto para Gustavo e Gayer não vai pedir votos para Morais”. Pelo menos por enquanto, isso já está acontecendo.

 

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“Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”, reza um versículo sempre lembrado pelos evangélicos tão cultuados pelo bolsonarismo. Quer dizer: a falta de união destrói qualquer projeto. Convivendo em um PL rachado, Wilder e Gayer prejudicam-se mutuamente. Provavelmente, mais adiante um pouco, eles até poderão encenar uma aproximação de fachada. Porém, de pouca efetividade para atrair votos. O fato é que as pesquisas continuam mostrando a estagnação de Wilder, inamovível no 3º lugar, na faixa dos 10% das intenções de voto. Para Gayer as coisas foram ainda mais danosas: depois de beirar os 20%, caiu para um empate técnico com Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso, todos entre 9 e 11% (e ainda tem Gustavo Mendanha, que ainda não foi avaliado pelas pesquisas e deve piorar ainda mais a situação de Gayer).