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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jul

34 segundos no rádio e na televisão: falta de visibilidade condena Marconi à derrota

 

Saiu uma prévia da distribuição do espaço para os candidatos a governador de Goiás no horário gratuito no rádio e na televisão. Em busca da reeleição, o governador Daniel Vilela (MDB) terá um pouco mais da metade dos 10 minutos diários, na volta do dia e à noite. O senador Wilder Morais (PL) e o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) contarão com 2 minutos cada um. Restará, portanto, uma mixaria para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e para o candidato do Novo, o vereador Telêmaco Brandão.

Uma mixaria que já está dimensionada: 34 segundos, para Marconi Perillo, um zastrás que desaparece em um piscar de olhos. Espremido nessa prisão temporal, Marconi intentará a missão impossível de tentar passar alguma mensagem, repetir pelo menos 2 ou 3 vezes o seu número, tocar uma musicazinha, a título de jingle ou palavra de ordem, para, no final desse intervalo rápido, sonhar com alguma visibilidade. Venhamos e convenhamos: é impossível retirar algo de positivo de um nada absoluto como esse. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial com apenas 7 segundos no rádio e na TV, mas ele era tudo o que Marconi não é, ou seja, um fenômeno nas redes sociais e no imaginário político coletivo. Tinha milhões de seguidores. Marconi, nem 200 mil.

 

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Uma candidatura sem estrutura para se comunicar com a população é naturalmente frágil. Em todas as suas eleições anteriores, Marconi foi esmagadoramente majoritário no horário gratuito e não à toa venceu 4 vezes para o Palácio das Esmeraldas e uma para o Senado. Depois, com os escândalos, veio a decadência e ele perdeu 2 também para o Senado. O que vem, aí, agora, é uma experiência nova, melhor dizendo, um desastre anunciado. Marconi simplesmente não existirá no principal meio de massa para a comunicação com o eleitorado, enquanto seus adversários terão a chance de dizer o que propõem, mostrar o que são e o que pretendem caso eleitos para o governo de Goiás. No caso de Daniel Vilela, com folga, sem pressa, conversando olho no olho com os telespectadores. E Wilder e Luis Cesar, razoavelmente.

Ninguém se elegeu para o governo de Goiás, desde a criação do horário gratuito, sem um tempo razoável no rádio e na televisão. No mais das vezes, o vitorioso foi quem tinha a maior fatia. É por isso que, fora do seu círculo de bajuladores, ninguém próximo a Marconi apoiou a sua decisão de disputar o governo de Goiás. Foi, claramente, um passo maior do que as pernas. A inviabilidade se tornou evidente. O PSDB virou pó de traque, não só regional, como nacionalmente. É uma legenda morta, sem quadros. E o advento da Era Caiado mudou radicalmente todos os paradigmas da política estadual, jogando na marginalidade quem não se adaptou ou evoluiu para o modelo mais avançado de poder que entrou em vigor. A roda da história girou, mas Marconi não acompanhou. Não teve a humildade de entender que uma vaga de deputado federal, com certeza conquista segura, garantiria alguma ressurreição, ao assegurar um lugar no palco do Congresso Nacional. Mas o que vem aí é a 3ª derrota, com aparência de pá de cal definitiva em uma carreira hoje fragilizada ao extremo, sustentando-se apenas em lembranças. Acabou.