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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 ago

Tombo de Anápolis no ranking do PIB dos municípios é maior que o esperado, do 2º para o 4º lugar

Definitivamente, Anápolis deixou de ser a potência do passado no ranking dos PIBs municipais de Goiás. Sempre manteve o 2º lugar, a partir de um certo momento ameaçada por Aparecida, mas resistindo. Agora, vem a má notícia: Anápolis desabou. E desbancada não apenas por Aparecida, mas também por Rio Verde – agora ocupando a 2ª posição, vindo Aparecida na 3ª colocação, e aí, no 4º lugar, finalmente aparecendo Anápolis, tudo isso segundo a última apuração do IBGE.

 

 

A queda para o 4º lugar em termos de PIB municipal é um desastre para a autoestima das anapolinas e dos anapolinos, que perderam uma superioridade de décadas. O baque é o resultado das gestões desastrosas de 2 prefeitos isolados nos extremos da ideologização da política brasileira: Antônio Gomide, 2 mandatos, representando o lulopetismo, e Roberto Naves, igualmente 2 mandatos, em nome do bolsonarismo. Da conjunção do desgoverno de ambos, produziu-se uma calamidade para a história econômica de Anápolis. Se foi uma potência industrial um dia, agora, após Gomide e Naves, já não é.

A batuta, hoje, está nas mãos de Márcio Corrêa. Com pouco mais de um ano e meio de mandato, Márcio mostrou que não tem projeto para recuperar o brilho perdido da sua cidade. Não seria fácil, de qualquer modo. Pelo sim, pelo não, o atual prefeito prefere ignorar esse desafio e faz uma administração modorrenta, focada em buscar likes nas redes sociais e índices de aprovação em pesquisas sem credibilidade. Não é, definitivamente, o que Anápolis precisa.

 

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Antônio Gomide e Roberto Naves foram prefeitos provincianos, voltados para a miséria cotidiana da política local, sem interlocução com o resto do Estado e do país. Nos seus 16 anos de poder, não atraíram mais do que 10, 20 novas empresas, nenhuma de porte, mesmo assim direcionadas para Anápolis por intermediação do governo do Estado. A montadora de carros da CAOA situa-se com o a última aquisição de impacto, aliás, antes de Gomide, quase 20 anos atrás. Depois, veio Naves, zero quanto a novos empreendimentos, cuja ridícula contribuição esteve em uma viagem por conta do erário à China para depois anunciar a inexistente intenção da gigante do comércio online Alibaba de implantar um centro de distribuição na cidade. Isso nunca aconteceu. Cômico, não fora trágico.

 

 

Em tempos recentes, o 2º lugar de Anápolis na escala do PIB dos municípios tinha Aparecida nos calcanhares. Surpresa: a inesperada arrancada de Rio Verde, engolindo a concorrência, ao empurrar Aparecida e Anápolis, e se firmar atrás apenas de Goiânia, repetindo, na 2ª posição. De quebra, Anápolis levou um chega-pra-lá de Aparecida, consolidada em 3º, e caiu para a 4ª vaga. Um revés sobre o qual Márcio Corrêa sintomaticamente não diz uma única palavra. Mas que, adiante, vai ser cobrado dele como um prefeito sem reação ao declínio que sobreveio às gestões de Antônio Gomide e Roberto Naves e segue pelo mesmo descaminho.

Com o mandato de Márcio Corrêa sinalizando para uma aceitação passiva da derrocada econômica de Anápolis, serão completadas 2 décadas sem qualquer anúncio de expansão industrial ou no setor de serviços – cuja única exceção foram os aportes da CAOA para aumentar a sua produção de veículos, há 2 anos, não efetivados ainda. Só. Nenhuma região do mundo seria capaz de suportar tamanho esvaziamento, menos ainda padecendo sob um processo de paralisia institucional iniciado com Gomide, continuado por Naves e consolidado por Corrêa. A antiga “Manchester” goiana não existe mais. Sob prefeitos preocupados apenas com futricas paroquiais e obrinhas eleitoreiras, Anápolis virou uma pálida sombra do que foi um dia.