A 45 dias das urnas, rejeição de Marconi não cede: 40,8%, segundo o Paraná Pesquisas

A elevada taxa de rejeição popular adquirida pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB) a partir de 2018, quando tomou a sua primeira derrota nas urnas (para o Senado), e se manteve no nível em 2022, ajudando em um novo insucesso eleitoral (também para o Senado), não cedeu e aponta para a repetição do fiasco agora em 2026, desta vez para o governo do Estado. No levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta terça, 18 de agosto, Marconi desponta mais uma vez como campeão do ranking de rejeição, com 40,8%. Os demais candidatos ao Palácio das Esmeraldas passam longe desse recorde do ex-governador: Wilder Morais (PL) é rejeitado por 18,5%; Daniel Vilela (MDB), 15,1%; e Luis Cesar Bueno (PT), 10,4%.

Em outras pesquisas de credibilidade, como as da Genial/Quaest, a rejeição de Marconi é ainda maior, beirando os 50%. Na prática, significa que metade do eleitorado estadual recusa o voto no seu nome. É um dado arrasador, com força suficiente para inviabilizar qualquer projeto majoritário (governo ou Senado). Permite apenas, com alguma dificuldade, mandatos legislativos, estadual ou federal. Mais grave: Marconi, desde que começou a escalar o ranking da rejeição, nunca arriscou nenhuma estratégia para superar esse obstáculo, preferindo ignorar esse ambiente negativo e ousadamente se lançar primeiro ao Senado, por 2 vezes, e agora ao Palácio das Esmeraldas.
É possível reverter essa situação tremendamente desfavorável? Não é fácil. Iris Rezende, por exemplo, passou a figurar como um dos políticos mais rejeitados do Estado, a partir de 1998 (quando perdeu a sua 1ª eleição, justamente para Marconi Perillo), e nunca conseguiu reduzir os seus índices. Perdeu mais 3 eleições majoritárias (uma para o Senado, em 2002, e 2 para o governo, em 2010 e 2014). Logrou se eleger por 4 vezes para a prefeitura de Goiânia, mas pagando um preço alto ao se reduzir à condição de liderança circunscrita aos limites da capital e ao perder para sempre o status estadual. Tornou-se um político municipal.
LEIA TAMBÉM
Chapa sem densidade eleitoral fragiliza ainda mais candidatura de Marconi
Ana Paula erra na agressividade: legado de Iris não está em discussão nesta eleição
Sem memória: argumento de Marconi contra Daniel repete erro de Iris Rezende em 1998
Iris Rezende e Marconi Perillo têm muito em comum na questão da rejeição. Ambos foram eleitos governadores pela primeira vez em processos de ruptura, simbolizando a correção de um passado de escândalos de corrupção e desorganização administrativa do Estado. Os 2 frustraram essa esperança. Igualmente, nenhum deles jamais fez qualquer autocrítica, preferindo atribuir suas vicissitudes a perseguições dos adversários e a injustiças praticadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. Sem esse mea culpa, o eleitorado não enxergou sinceridade nem em um nem em outro e os puniu com reveses sucessivos, talvez sob o receio de que, voltando ao poder, cada qual incorreria nos mesmos erros de antes. Marconi, no momento, está mais uma vez vivenciando esse processo.
Plantada entre Marconi e as urnas de 4 de outubro, a muralha dos 40 a 50% de rejeição é intransponível. Nem prazo há mais para uma reviravolta, com a votação marcada para daqui a 6 semanas. É previsível até um aumento desse índice, como consequência do incremento de visibilidade produzido pela campanha e da artilharia dos adversários renovando na cabeça das goianas e dos goianos a lembrança dos malfeitos de antes. Isso afeta a credibilidade de Marconi, ao colocá-lo em palpos de aranha para cumprir o mister de todo candidato de oposição: falar mal de quem está no governo e propor uma correção de rumo. É um discurso incabível para quem lidera as pesquisas de rejeição exatamente pelo que fez como governador. E, por isso mesmo, tudo indica que a eleição está perdida por antecipação.