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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 set

Marconi derrete sob o impulso final de uma campanha errática e agressiva

As próximas pesquisas – lembrando, como sempre: as de credibilidade – estão fadadas a confirmar uma má notícia para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB): a queda para o 3º lugar na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, abrindo-se, a partir daí, uma hipótese pior ainda, qual seja um tombo bem maior, para a 4ª posição. Esse movimento já vinha se insinuando nos últimos levantamentos e passou a aparecer com força na apuração diária (tracking) das campanhas desde segunda-feira, 14 de setembro. Em razão da campanha errática, da agressividade nos ataques ao governador Daniel Vilela e ao ex-governador Ronaldo Caiado, tudo isso combinado com uma rejeição que teima em não ceder, Marconi está cercado de dificuldades para se segurar na 2ª colocação. Em velocidade que tende a se acelerar, as suas intenções de voto estão se transferindo principalmente para o líder Daniel Vilela (MDB) e para o segmento dos indecisos.

 

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A candidatura de Marconi Perillo ao governo do Estado já foi um erro, a porta de abertura para uma sequência infindávelde equívocos. Com o PSDB esfrangalhado em Goiás e no Brasil, sem partidos aliados ou lideranças de peso no palanque, sem tempo de rádio e televisão (30 segundos) e com a imagem comprometida, a decisão correta teria sido correr atrás de uma cadeira na Câmara dos Deputados, uma eleição proporcional não só plenamente viável, como também garantia de conquista do mandato necessário para reposicionar uma carreira política cada vez mais cravejada de derrotas. Não se contentando com esse acúmulo de ratadas, o ex-governador tucano adotou uma estratégia questionável, a se se autocreditar tudo o que foi feito em Goiás até hoje e a acusar as gestões de Caiado e Daniel de ineficientes – indo de encontro aos 88% de aprovação popular para Caiado e até 75% para Daniel. Impossível colar. E não colou.

 

 

O argumento da “inexperiência” já foi desmentido pelo próprio Marconi. Uma animação exibida no horário eleitoral gratuito, produzida com Inteligência Artificial, fantasiou Marconi como o piloto que assume um Boeing pegando fogo, com os passageiros em pânico, e consegue pousar o avião em segurança(print acima). Ele pergunta: “Você entregaria um avião grande como esse a um piloto sem experiência?”. Ora, em 1998, quando o jovem Marconi derrotou o todo-poderoso Iris Rezende, era exatamente isso que a campanha de Iris dizia sobre o adversário. Na época, a metáfora citava um ônibus lotado, desgovernado em uma descida, que somente seria salvo por um “motorista experiente”, no caso, Iris. Pois as goianas e os goianos, na época, preferiram um “motorista inexperiente”, o próprio Marconi, e dessa decisão brotaram gestões melhores que as de Iris (que perderia mais 2 eleições para Marconi).

Dizendo de outra maneira, nas eleições deste ano, faltaram e faltam condições objetivas para a sustentação de Marconi Perillo no 2º lugar. Ele também é vítima de um fenômeno natural em campanhas eleitorais: a lembrança negativa. Quanto mais o seu nome é repetido, mais intenções de voto são perdidas. É por isso que, por incrível que pareça, Marconi se beneficiou inicialmente da baixa visibilidade da sua campanha sem estrutura, quando faturou automaticamente os créditos do recall do seu nome no imaginário da população (afinal de contas, exerceu 4 mandatos de governador) e até ensaiou uma consolidação na 2ª posição. Mas aí, com o avanço do calendário eleitoral e a difusão da sua candidatura, aos poucos esse capital inicial foi se perdendo e se aproxima de 4 de outubro em erosão acelerada. Em resumo: um nome conhecido, sim, porém convertido em uma candidatura rejeitada.

A hora da verdade chegou, portanto. Podem anotar, leitoras e leitores: Marconi começou a escorregar ladeira abaixo, a caminho de entregar o 2º lugar para Wilder Morais (PL) e será obrigado a lutar e contar com a sorte para não acabar no 4º lugar, caso Luis Cesar Bueno (PT) venha a alcançar 10% de intenções – meta difícil para o PT em um Estado conservador como Goiás. Pode acontecer. Está claro como a luz do dia: às vésperas das urnas, um conjunto muito diversificado de variáveis desfavoráveis, em parte com origens lá atrás, produziu nuvens escuras e a tormenta desabou sobre Marconi. Como era esperado.