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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 out

Com Flávio atrás de votos para o 2º turno, Wilder anuncia oposição a Daniel e Caiado. É burro mesmo

 

O senador Wilder Morais é um político de poucas luzes. Expressa-se em um português mortificante, assassinando as regras mais básicas do idioma a cada frase. A tal ponto que se torna difícil entender o que ele quer dizer. Porém, mesmo assim, ele conseguiu se comunicar com alguma clareza quando, logo após o anúncio do resultado das eleições em Goiás e configurada a sua derrota, anunciou que “fará oposição à gestão estadual ao longo dos quatro anos restantes de mandato no Congresso Nacional e avisou que pretende cobrar o cumprimento de promessas feitas pelo governador Daniel Vilela”, segundo texto literal de uma reportagem do jornalista Rubens Salomão, em O Popular desta segunda-feira, 5 de outubro. Não haveria hora mais errada para esse tipo de declaração(foto acima).

 

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Ora, leitoras e leitores, encerrada a etapa da eleição para o governo do Estado, o que é que entra no foco da política em Goiás e pelo país afora? O 2º turno da disputa pela presidência da República, com Flávio Bolsonaro revestido de chances enormes de vir a se sagrar vencedor. Nesse caso, qual seria o papel de Wilder Morais, senador do PL, o partido de Flávio, e alguém que acabou de sair das urnas com um capitalzinho pouco acima de 21% dos votos? Resposta óbvia: trabalhar e lutar com unhas e dentes pela vitória do filho do Jair, hoje o compromisso tácito já automaticamente firmado pelo campo doutrinário que vai do centro até a extrema direita. Nada mais óbvio e fundamental do que aproximar-se, ainda que momentaneamente, mas de preferência em definitivo, de Daniel Vilela e do ex-governador Ronaldo Caiado, buscando a formação de uma aliança para ampliar os números de Flávio em Goiás e o domínio do bolsonarismo.

 

 

 

Mas aí vem Wilder Morais, com a sua reconhecida “inteligência”, e diz que, não, ele vai fazer o que puder para atrapalhar o governo de Daniel Vilela. Com O Popular mal circulando na manhã de segunda, 5, estampando em manchete a entrevista do senador, Flávio Bolsonaro correu e agendou um encontro com o ex-governador Ronaldo Caiado e com Daniel, em Goiânia, para acertar o apoio de ambos à sua candidatura, em uma articulação que envolveu ainda o senador eleito Gustavo Gayer, o deputado federal eleito Major Vitor Hugo e o prefeito de Anápolis Márcio Corrêa – do time dos bolsonaristas puro-sangue do Estado e gente que tem os pés no chão. Enquanto isso, com Wilder, totalmente por fora dessa movimentação e desconectado do mundo real, chutando o pau da barraca ao avisar precocemente que vai para a oposição a Daniel Vilela, Flávio Bolsonaro enveredava pelo caminho mais consequente para fortalecer a sua caminhada e marcava passagem para Goiânia. Sim, passando por cima de Wilder.

Durante a campanha presidencial, Caiado fez críticas a Flávio Bolsonaro, é verdade. Em um pleito que escorre para o 2º turno e de tamanha importância para o futuro, isso é o de menos. É passado. A meta agora é vencer no dia 25 de outubro, um projeto que inclui a conquista da maior coleção de apoios possíveis – e na qual os candidatos que concorreram no 1º turno, seja qual for a votação que cada um obteve, adquirem um peso simbólico extraordinário, ainda mais no caso de Caiado. É o que explica a prioridade de Flávio Bolsonaro evidenciada de maneira clara na viagem a Goiás logo no 2º dia após a votação. Wilder, dentro das suas limitações políticas e intelectuais, não entendeu nada disso.

É de se prever um movimento de reconquista do controle do PL estadual sob o comando de Gustavo Gayer, Major Vitor Hugo e Márcio Corrêa, uma troica que tem futuro como ponta-de-lança do exército bolsonarista tanto em Goiás como no Congresso Nacional (os 2 primeiros). Wilder Morais está à margem desse jogo. Em algum momento, ele será confrontado com a sua falta de convicção ideológica (ele não sabe o que é ideologia) e despreparo para o mandato que conquistou por acidente em 2022 e para integrar a teia de interrelações que se espraia pela política, em Goiás e em Brasília. Para não atrapalhar Flávio Bolsonaro, Wilder tem 2 alternativas: ou sai para o escanteio ou envia o rabo entre as pernas e vai bater palmas no evento de congraçamento do número 01 do Jair com Daniel Vilela e Caiado. Já.