Urnas despoluíram a política em Goiás e mandaram advertência para a Assembleia
Como nunca, as eleições deste ano em Goiás promoveram um saneamento da política, eliminando de uma só penada uma coleção de ineptos, grosseirões, charlatães e corruptos, além de mandar um recado claro para a Assembleia Legislativa a propósito da necessidade de dar um ponto final no descalabro moral e administrativo que há 4 anos tomou conta do poder, sob o comando do presidente Bruno Peixoto, agora deputado federal eleito (aliás usando e abusando da máquina da Assembleia).

É quase um caso de se comemorar as derrotas com mais ênfase do que as vitórias. No campo majoritário, foram defenestrados Wilder Morais e Marconi Perillo, o primeiro um dos “políticos” mais despreparados da história estadual, enquanto o segundo tanto fez contra a sua própria biografia que acabou humilhado com um 4º lugar na corrida pelo Palácio das Esmeraldas – equivalente a um aviso: faça autocrítica, reconheça o seu tamanho e deixe de incomodar as famílias das goianas e dos goianos com uma agressividade injustificada contra os adversários e um recorrente envolvimento em escândalos (o que pode ser exemplificado pela “façanha” recente de se meter até mesmo com o Banco Master e embolsar misteriosos R$ 14,5 milhões de reais). Chega.

Para o Senado, esse mesmo raciocínio vale para Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha. Um, Vanderlan, nunca deveria ter sido eleito, como o foi, em 2018, para um mandato para o qual não tinha altura, porém neste ano finalmente colocado no devido lugar pelas urnas, ou seja, na rua. Outro, Mendanha, terminou com uma ninharia de votos na corrida pelas 2 vagas senatoriais, em uma nova advertência para as suas pretensões de grandeza, quando, na verdade, não passa de um nome apequenado pela inconstância e pela falta de visão sobre os ideais coletivos da população de Goiás, substituídos por um complexo de superioridade que necessita de tratamento psiquiátrico urgente.
Para a Câmara Federal, a nova bancada é melhor, apesar dos tropeços. Velharias cobertas de mofo se reelegeram, como Rubens Otoni, José Nelto e Magda Mofatto. Alguns, como Silvye Alves, que venceu como a mais votada em 2022, vendendo-se como paladina dos direitos das mulheres e no mandato traiu esse compromisso com uma atuação omissa, conseguiram também retornar, mesmo amargando uma fração da antiga votação. Mas alguma faxina se fez. Professor Alcides foi riscado do mapa (para o bem de todos, já anunciou que se aposenta da política). Uma farsa chamada Delegado Humberto Teófilo perdeu. E um dos símbolos nacionais da indecência petista, o larápio condenado Delúbio Soares, recebeu apenas 14 mil votos, mesmo com um vídeo de campanha em que o conivente Lula suplicou por votos para o seu gatuno de estimação.

Assembleia Legislativa: aqui é que a porca torceu o rabo no dia 4 de outubro. Esperava-se a substituição de no máximo 10 ou 11 dos atuais deputados, mas, surpresa, esse número chegou a 19. É de se comemorar essa razoável higienização eleitoral do emporcalhado palácio do Park Lozandes. Boçais indecorosos como Major Araújo, o falastrão Clécio Alves, o apodrecido assediador de mulheres de Luziânia Cristóvão Tormin, a ex-primeira-dama de Anápolis Vivian Naves (cujo mandato em vias de extinção, para nunca mais, foi obtido com o uso escandaloso da prefeitura comandada na época pelo marido Roberto Naves), e Veter Martins (outro que impudentemente chegou à Assembleia empurrado pela estrutura municipal de Aparecida, nos tristes tempos de Vilmarzin), terminaram riscados do mapa. De fato, uma assepsia bastante ampla, muito embora o presidente Bruno Peixoto tenha escapulido da depuração ao disputar e ganhar uma cadeira na Câmara Federal (repetindo: via manipulação das vantagens oferecidas pela presidência do Legislativo).
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Para os deputados estaduais reeleitos e eleitos, despontou uma mensagem: corrijam o que está errado, e não é pouco, e se atirem imediatamente à missão de reconstituição ética e dos princípios da boa política que a Assembleia reclama depois de ser transformada em um valhacouto de privilégios e irregularidades pela gestão do presidente Bruno Peixoto. A hora é agora. Os recordes nacionais de nomeação de comissionados, com direito a manchete negativa na Folha de S. Paulo, as viagens internacionais até para a Disney, os carrões de luxo e a proliferação sem controle de penduricalhos para beneficiar funcionários e parlamentares tornaram-se inaceitáveis. Botar o pé no freio é inadiável. Não à toa, do Legislativo estadual não nascem mais lideranças identificadas com as correntes de opinião da sociedade goiana nem muito menos nomes com capacidade para desenvolver uma trajetória até mandatos superiores, como o de senador e o de governador. E a contribuição do Poder para o debate das necessidades do Estado rebaixou-se a um nível vergonhoso, igual a zero. A Assembleia destruiu-se a si própria, tornando-se acessória, insignificante, irrelevante. Vale na vida institucional de Goiás o mesmo que uma Câmara de Vereadores de corrutela.

O balanço eleitoral de 2026, para Goiás, foi positivo – e principalmente pelas nulidades que enfim foram chutadas para longe. Livrar-se da barbárie verbal de um Major Araújo e sua estupidez diária no plenário da Assembleia… não tem preço. Ao mesmo tempo, as portas abertas para o futuro pela eleição de um jovem como Lucas Calil para a Câmara dos Deputados ou a reeleição de uma mulher valorosa como Marussa Boldrin, dentre outros, igualmente não tem preço. Conclusão: das urnas recentes saíram coisas boas para o Estado, proporcionando um salto em matéria de despoluição política e, por que não?, trazendo avanços na qualidade dos nossos representantes parlamentares, embora ainda preservando figuras tétricas da velha política, não muitas, felizmente.