Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 out

Autocrítica é um dever, mas eles não fazem: Wilder, Marconi, Vanderlan, Mendanha e Bruno Peixoto

Encerradas as eleições em Goiás, exceto o 2º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, o resultado mostrou que há políticos necessitando de uma autocrítica com urgência, caso queiram sobreviver e, mais à frente, tentar uma ressurreição. Autocrítica, leitoras e leitores, é algo que dificilmente se vê na vida cotidiana, menos ainda entre aqueles que se julgam superiores e convictos de que estão certos, mesmo que a realidade seja clara, claríssima ao mostrar que estão tremendamente equivocados ou, o que é mais verdadeiro, se enxergando com absoluta má fé.

Dois dos principais derrotados nas urnas de 4 de outubro – Wilder Morais e Marconi Perillo – necessitam sem dúvida de algum tipo de terapia, que inclua autoanálise, Wilder por achar que perdeu em razão do uso da máquina pelo adversário vencedor em 1º turno, Daniel Vilela, e da publicação de pesquisas que seriam incorretas, Marconi também por atribuir/ seu fiasco ao poderio da estrutura governista e, na mesma linha de Wilder, pelo impacto entre o eleitorado de “pesquisas compradas”. Em ambos as situações, uma piada e uma demonstração de soberba, já que os dois terminaram frustrados por motivos muito mais pessoais do que por qualquer outra justificativa.

 

 

Wilder: um candidato despreparado, incapaz de se fazer entender devido ao mau uso da língua portuguesa e ao raciocínio confuso, quase primitivo, com o queixo eternamente erguido. Não fez campanha, acreditando na quimera do voto ideológico e na utopia de um surto bolsonarista na reta final, quando o escopo da corrida pelo Palácio das Esmeraldas estava na continuidade das gestões do ex-governador Ronaldo Caiado. Mais: lançou-se candidato com base em um partido, o PL, dividido (mais da metade dos líderes da legenda queriam um acordo com Caiado-Daniel), sem o apoio de prefeitos ou lideranças de peso, investindo unicamente no suposto trunfo da agregação da filha de Iris Rezende, Ana Paula, para a sua vice, uma aposta furada. Arrogantemente, Wilder não admite nada disso e inventa que foi esmagado pela força da máquina e por “pesquisas fraudulentas”, que, aliás, se provaram inteiramente de acordo com os números do TRE-GO.

 

 

Marconi: esse, coitado, já chegou carregando nas costas o fardo de uma monstruosa e impeditiva rejeição entre 40 e 50%, em determinadas pesquisas até mais. Essa muralha é insuperável. Agravando a sua própria situação, não tinha partidos, não contou com lideranças de peso no seu “palanque”, montou uma chapa fubeca e não teve como fazer campanha, sem ninguém para recebê-lo nos municípios ou em qualquer lugar. Começou em 2º lugar, o que seria até honroso se assim chegasse ao fim, porém acabou em um humilhante 4º lugar, atrás até do candidato do PT, Luis Cesar Bueno. Depois de tudo isso, ainda teve a insolência de explicar o desastre em que se meteu o atribuindo, tal como Wilder, à “máquina governista” e às “pesquisas compradas”. Risível.

 

 

Vanderlan Cardoso: um campeão inveterado em matéria de derrotas eleitorais, Vanderlan pelo menos teve a dignidade (diferentemente de Wilder e Marconi) de não forjar causas inverossímeis para o insucesso da sua reeleição. Mas, para quem passou 8 anos em brancas nuvens no Senado, gastando o prestígio institucional de um mandato legislativo tão importante com emendas para a compra de tratores para os municípios, não houve surpresa nenhuma. Vanderlan terminou em 5º lugar, atrás do desconhecido Oséias Varão. Politicamente, morreu. A menos que, em 2030, queira comprar um mandato de deputado federal (e dinheiro para isso ele tem). Suas declarações após o baque nas urnas apontam para uma inacreditável inconsciência sobre a catástrofe que se abateu sobre ele. Outro se recusa a qualquer autocrítica.

 

 

Gustavo Mendanha: o ex-prefeito de Aparecida sofre de um complexo de grandeza que praticamente arruinou a sua carreira política, ao se imaginar uma liderança de caixa estadual – o que não é e nunca foi. Correu atrás do Senado, insensatamente abrindo mão de concorrer à Câmara Federal com chances, protagonizando um vexame; o 6º lugar. Tornou-se inconfiável, ao mudar de partido e de lado ao sabor dos próprios interesses e agora, como se sabe, vai trair novamente, ao se candidatar a prefeito de Aparecida contra o atual incumbente Leandro Vilela, com o qual já dá sinais de rompimento. Se permitirá uma autocrítica? Jamais. Nunca fez e nunca fará. Continuará se olhando no espelho como um potentado de fancaria.

 

 

Bruno Peixoto: ganhou como o mais votado para deputado federal, sim, cavalgando a estrutura da presidência da Assembleia Legislativa, com metade dos votos que apregoava esperar (400 mil, alcançou 200 mil). Uma conquista artificial, ao custo do descalabro administrativo de um Poder que, na sua gestão, transformou-se em um valhacouto de privilégios e chegou à manchete principal da Folha de S. Paulo como exemplo de ruína institucional (maior número de funcionários comissionados dentre todos os Estados). Poucas vezes na história de Goiás uma vitória resultou tão desvalorizada. Antes, Bruno foi afastado como pretendente a prefeito de Goiânia (2024) ou para a vice de Daniel Vilela (para a qual foi vetado porque emporcalharia a chapa). Autocrítica? Não vai fazer, seguindo em frente como o que sempre foi, ou seja, um nanico moral da política.

 

LEIA TAMBÉM

Erros de estratégia e características pessoais negativas inviabilizaram Wilder

Maior dúvida da eleição é se Marconi vai conseguir escapar da queda para o 3º ou 4º lugar

Derrota prevista, mas acachapante, aniquila Vanderlan talvez para sempre