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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 out

Disputa pela presidência da Assembleia ainda não incluiu ideias e propostas

Vai mal a movimentação entre os 41 deputados estaduais eleitos para a Assembleia Legislativa a partir de 2027. Já começaram entres eles as articulações para a escolha da nova Mesa Diretora, cujo presidente, como se sabe, tem poderes imperiais: manda em mais de 6 mil cargos comissionados de assessoria (recorde absoluto em termos de  Assembleias no país e denúncia em manchete principal da 1ª página da Folha de S. Paulo), comanda centenas de cargos de diretoria, supervisão, assessoria superior e mais uma fieira de salários superiores a R$ 20 mil mensais e distribui aos próprios parlamentares benesses milionárias tais como penduricalhos (tem auxílio financeiro inclusive para comprar ternos), viagens internacionais (não se exclui nem a Disney), SUVs de luxo e até avião para viagens para o interior, claro, por conta do erário.

 

 

Tudo isso não existia, mas se transformou em realidade com o descalabro administrativo no qual o atual presidente, Bruno Peixoto, enterrou a Assembleia, exemplo de malversação de recursos públicos para o Brasil. É uma situação sem precedentes em qualquer outro Estado e razão principal para a ruína moral do Poder Legislativo em Goiás, transformado em instituição irrelevante para os anseios da população goiana. Não à toa, de lá não saem mais políticos de mínima credibilidade, daqueles de antigamente que se empenhavam em debater as soluções para os principais desafios regionais e mostravam preocupações sociais e econômicas muito além de simplesmente embolsar o precioso dinheiro do contribuinte e garantir privilégios inimagináveis (sim, leitoras e leitores, ainda há muita putrefação oculta nas vísceras da Assembleia).

 

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Deputado estadual, hoje, em Goiás, vive obcecado unicamente em ampliar a sua estrutura para assegurar a reeleição, nada mais. O resto… que se dane. Por isso, a restauração da dignidade do Poder pode ser listada desde já como a prioridade número um do próximo presidente, mas… não é o que acontece. Instalou-se uma briga surda pelo controle da casa entre os 19 novos parlamentares e os 41 reeleitos, nenhum, mas nenhum mesmo, por ora, preocupado com a decadência escatológica em que o presidente Bruno Peixoto vai deixar a Casa para o seu sucessor.

 

 

Como é que alguém se candidata a um cargo de tamanha importância, como a presidência da Assembleia, sem apontar antecipadamente quais os princípios que observará e para onde pretende conduzir a instituição? Pois é o que está acontecendo. O mais cotado, Issy Quinan(foto acima), está mostrando que é bom de bastidores, ao atropelar um acordo dos 21 reeleitos para impor um nome (manobra conduzida pelos veteranos Virmondes Cruvinel, Talles Barreto, Cairo Salim, Wilder Cambão e Jamil Calife) capaz de preservar o status quo de degradação ética legado por Bruno Peixoto – que pode ser conferido no site de O Popular, o jornal que durante a gestão de Bruno publicou dezenas de manchetes escancarando a lambança funcional da Assembleia. Issy foi direto à bancada de novatos e amealhou apoio para enfrentar a malandragem da turma que quer se perpetuar na exploração das inacreditáveis mordomias criadas pela atual presidência.

Mas, tal como os demais colegas interessados, Issy Quinan também não disse um pingo sobre o que pretende fazer, se for eleito, com a mais poderosa e autêntica expressão popular do constitucionalismo democrático em Goiás. Em parte, dá para entender: se falar em cortar ou reduzir as regalias nas quais os deputados se chafurdam, não terá a menor chance de vencer. O jogo, portanto, é difícil e delicado. No entanto, urge que a Assembleia recupere ao menos uma parte do prestígio adquirido quando servia de palco para discussões sobre o futuro de Goiás e abrigava personalidades ilustres – Henrique Santillo, Iris Rezende, Maguito Vilela, Marconi Perillo Daniel Vilela, só para citar alguns que chegaram ao governo do Estado, algo que parece destinado a nunca mais acontecer.