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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 abr

Caiado dá sinais de que conseguiu uma base de apoio na Assembleia, por enquanto frágil e sem margem de segurança. E, infelizmente, fazendo o que disse que não faria: dando cargos em troca de votos

Em uma vitória, muitas vezes, esconde-se uma grande derrota. É o caso da base de apoio que o governador Ronaldo Caiado enfim conseguiu na Assembleia Legislativa, por enquanto ainda frágil e com pouca margem de segurança, aguardando uma matéria polêmica para passar por um teste de desempenho – que deve ser o projeto da segunda parte da reforma administrativa, destinado a mexer com a estrutura do Estado e evidentemente gerar muita discussão. O governador parece ter conquistado maioria no plenário da Casa, porém não chegou a essa vantagem devido às suas ideias, propostas ou visão de futuro que tem para Goiás. Não. Estão reunidos ao seu lado entre 24 e 26 deputados, quase todos convencidos por uma das artimanhas mais velhas da política brasileira, que é a troca de apoio por cargos no governo.

 

Infelizmente, Caiado, que pregava contra os “conchavos” e chegou a rezar esse sermão dentro da própria Assembleia, em um encontro com seus integrantes, acabou cedendo e abriu no Palácio das Esmeraldas, na definição do deputado Major Araújo, aliás aliado seu, um “balcão de negócios”. Dentre os atrativos, duas mercadorias parecem ter se mostrado capazes de seduzir até parlamentares que foram eleitos pela atual oposição, como Virmondes Cruvinel, Diego Sorgato ou Tiago Albernaz – que construíram suas trajetórias dentro ao PSDB ou ligados ao partido e principalmente ao ex-governador Marconi Perillo: 1) uma cota de R$ 30 mil reais em nomeações e 2) pelo menos dois cargos de assessoramento de primeira linha, como chefia de gabinete, superintendência ou diretoria (que os parlamentares beneficiados estão aproveitando para uma vexatória farra de indicações de familiares).

 

Sob o poder de arrastão desses pequenos mimos, que atenderam a voracidade das goelas fisiológicas dos deputados, surgiu o esboço de uma base de apoio na Assembleia, frágil porque o governo tem atendido a uns com mais presteza do que outros – levando o líder Bruno Peixoto a um plantão cívico nos sagrados salões do Palácio das Esmeraldas, à espera agoniada e sem pudor dos decretos de nomeações, com direito a notícia nos melhores espaços da imprensa estadual.  E com pequena margem de segurança, já que o número de votos arrebanhados vai pouco além da maioria de 21 para projetos ordinários e de 28 para emendas constitucionais e temas específicos.

 

É a vida, dirão os seguidores e admiradores de Caiado.