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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 maio

Caiado volta com as mãos abanando de mais uma reunião de governadores, em Brasília, dessa vez com a presença até de Bolsonaro: nada, mas nada mesmo de concreto sobre ajuda financeira a Goiás

Já está ficando até meio constrangedor: quase toda semana o governador Ronaldo Caiado viaja a Brasília para audiências, reuniões e até grandes encontros entre governadores e membros da equipe econômica do governo federal sempre na esperança de que venha a ser anunciado algum tipo de ajuda financeira aos Estados e especialmente a Goiás… e nada acontece.

 

Em quase 20 semanas de governo, Caiado foi 60 vezes à capital da República. Nesta terça-feira, 7 de abril, ele deu entrevistas otimistas a O Popular, anunciando que estaria mais uma vez em Brasília no dia seguinte, esta quarta, para um café da manhã com o próprio presidente Jair Bolsonaro e os demais governadores, na casa do presidente do Senado David Alcolumbre. Ingenuamente, esquecendo-se das inúmeras ocasiões em que previu o anúncio de medidas de socorro financeiro aos Estados, Caiado chegou imprudentemente a anunciar que, nesse tal café da manhã, seriam reveladas as linhas de um hipotético plano de apoio à recuperação fiscal das unidades federativas. Pois é: tudo não passou de um novo fiasco. O presidente chegou atrasado, ficou só um pouco e antes das 9:30hs já tinha caído fora. Nem ele nem ninguém mais disse uma única palavra sobre apoiar quem quer que seja, muito menos os Estados.

 

Leia aqui sobre a reunião anterior dos governadores com o ministro da Economia Paulo Guedes.

 

Caiado quebrou a cara. A insistência dele em implorar o socorro federal chega a despertar pena. Não condiz, por exemplo, com a imagem que tinha como cabeça do Congresso, onde a experiência que acumulou durante sucessivos mandatos deveria ser suficiente para ensinar que as agendas da Câmara e do Senado não podem jamais ser fatiadas e sempre precisam se concentrar em um tema revelante – hoje, no caso, a reforma da previdência, cuja tramitação colocou em segundo plano até o importantíssimo pacote anticrime do ministro da Justiça Sérgio Moro.

 

Seria falta de juízo o Palácio do Planalto apresentar à apreciação dos deputados e senadores um projeto para a recuperação fiscal dos Estados para concorrer com a reforma da previdência. Uma matéria, inevitavelmente, seria usada como contraponto da outra, aumentando o poder de barganha dos governadores e fragilizando a articulação política do governo federal. Em Brasília, até as crianças sabem disso. Caiado, parece que não. Enquanto a questão da previdência não estiver solucionada, nada caminha. A ajuda financeira que não vem e talvez não virá nunca mantém o governo de Goiás semiparalisado, envolvido dia e noite com uma discussão estéril sobre o pagamento do funcionalismo e não só quanto ao mês de dezembro passado, porém quanto a folha já de maio, que se admite passível de não ser paga em dia. E Caiado vai ficando cada vez menor.