Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 maio

Liquefação do governo Bolsonaro torna ainda mais urgente uma definição de Caiado sobre o rumo da sua gestão, próxima de iniciar o 6º mês e ainda longe de oferecer a mudança prometida na campanha

A inviabilidade da articulação política do presidente Jair Bolsonaro junto ao Congresso Nacional e os constantes erros que ele segue cometendo, ajudado pela sinistra tríade filial e suas trapalhadas nas redes sociais, parecem garantir desde já que a nova gestão do país não deu certo e só vai piorar o quadro de calamidade que recebeu dos seus antecessores. Isso tem reflexos em Goiás e grandes, na medida em que o governador Ronaldo Caiado amarrou o futuro do seu governo ao socorro esperado de Brasília, mas que com quase total certeza jamais chegará.

 

Caiado achou que, por ser Caiado e pela trajetória que teve enquanto foi parlamentar, com projeção na grande mídia e até com o seu nome cotado para a presidência da República, teria prestígio e bagagem suficientes para resolver a crise fiscal de Goiás com recursos que seriam enviados por Bolsonaro e pelo seu ministro da Economia Paulo Guedes. Os dois, sem o menor pudor, enrolaram e continuam enrolando o governador goiano, submetido várias vezes ao vexame de marcar datas para que as coisas acontecessem – sem nunca acontecer.

 

Pelo que se vê, se houver uma fila de prioridades para Bolsonaro e Guedes, amparar Goiás deve estar em quinquagésimo lugar. Desde que Caiado foi eleito, ele teve mais de duas dezenas de encontros com o presidente e seu principal ministro, com tapinhas nas costas, sorrisos amigáveis, fotos para as redes sociais e provavelmente juras sobre a iminência do tal apoio financeiro. É exagero afirmar que eles fizeram Caiado de bobo, porém não há dúvida de se aproveitaram da sua ingenuidade e de certa forma foram desrespeitosos ao criar expectativas falsas sobre um assunto tão sério como a busca – hoje desesperada  – por uma solução para as dificuldades financeiras do Estado.

 

De qualquer forma, Caiado deveria ter experiência e conhecimento à altura de saber que toda equipe econômica federal, em qualquer época, sempre tem ojeriza a qualquer tipo de assistência aos Estados. O próprio secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida, encarregado de tocar o assunto, publicou na semana passada um artigo em que lembra: todas as vezes que houve renegociações ou programas de suporte às unidades federativas, os governadores aproveitaram a folga para mergulhar ainda mais fundo na lambança fiscal. Tem sinalização mais negativa do que essa?

 

Com Bolsonaro caminhando à beira do precipício, as perspectivas, se já eram ruins, ficaram piores para Caiado. Se existir uma saída para Goiás, ela só pode ser encontrada aqui mesmo e não onde está sendo procurada no momento, isto é, em Brasília. Mas é aí que a porca torce o rabo: o ajuste local continua sendo adiado. O governo que Caiado comanda é o mesmo que ele herdou de Marconi Perillo e Zé Eliton, só que com mais secretarias, administração fiscal sem margem de manobra (Caiado decidiu cumprir todas as vinculações e carimbos de verbas), estatais inúteis e dispendiosas, programas sociais deficitários e tudo o mais praticamente do jeito que recebeu, inclusive a falta de caixa para pagar as contas. Não houve a implantação nem sequer a definição de um novo projeto, um rumo. Se assim prosseguir, vai repetir Bolsonaro e também não vai dar certo.