Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 jun

Desde 1989, financiamentos do FCO geraram ou ajudaram a manter quase 3 milhões de empregos. Se parte desse dinheiro caísse no saco sem fundo do Estado, como Caiado quer, seriam 1 milhão a menos

A infeliz proposta do governador Ronaldo Caiado para que os recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, o FCO, passem a ser desviados em um terço para o governo do Estado, ajudando a financiar obras de infraestrutura (no começo, Caiado queria metade desse dinheiro para gastar com custeio da máquina, depois parece ter desistido), vai representar um golpe profundo para a geração e manutenção de empregos em Goiás – desde que foi criado pela Constituição Federal de 1988, o FCO é responsável por 2.975.917 vagas de trabalho oferecidas ou garantidas aos goianos, conforme dados oficiais do Banco do Brasil, agente financeiro do fundo.

 

Isso significa, estabelecendo-se uma correlação direta entre as verbas que Caiado quer subtrair e o quantitativo de empregos criados e mantidos enquanto o FCO cumpriu a sua destinação constitucional de apoio à iniciativa privada, que Goiás teria contado com quase um milhão de empregos a menos em aproximadamente 30 anos. É um número muito expressivo, que deveria levar o governador a se arrepender da malfadada ideia de meter a mão em uma fonte de crédito que é a única, hoje, a juros baixos disponível para os empreendedores goianos, no agronegócio, no setor empresarial e na agricultura familiar.

 

Os números do FCO no Estado são espetaculares: em 2018, mais de R$ 3 bilhões foram distribuídos em 1.820 contratos para o segmento empresarial, 6.108 para o setor rural e 9.914 para a agricultura familiar. Um encolhimento de um terço será algo parecido com uma hecatombe para a economia estadual e, pior ainda, para os micro, pequenos e médios empreendedores, que absorvem – ao contrário do que Caiado anda dizendo – 88% dos financiamentos concedidos pelo fundo. São eles e não os grandes proprietários e empresários os maiores beneficiários do FCO.

 

Em outras palavras, além de sustentar a ineficiência do Estado com o pagamento de impostos, a sociedade será agora despojada de um dinheiro que é seu, abduzido para financiar gastos do governo que não são sequer discutidos com o público a que supostamente se destinam. Pela proposta de Caiado, serão menos empregos nos próximos anos, menor produção de riquezas e mais dificuldades para quem se arrisca no mundo dos negócios e enfrenta o monstro burocrático e, como se vê, cada vez mais devorador de recursos. É algo que vai totalmente contra o que pensa o presidente Jair Bolsonaro, como bem lembrou o senador Vanderlan Cardoso. Espera-se que ele não coloque a sua assinatura em qualquer papel que possa conduzir a essa aberração.