“Prefeito Rogério” enrola para implantar plano de ação e deixa Braga a um passo de largar a consultoria
O prefeito de Goiânia Rogério Cruz recebeu em meados de agosto um “plano de ação” elaborado pelo marqueteiro Jorcelino Braga, destinado a ajustar a gestão do Paço Municipal e a proporcionar ganhos de popularidade, viabilizando chances para a sua reeleição. Pelo roteiro, primeiro seriam promovidas mudanças no secretariado, para, em seguida, a 1º de setembro, começar a implantar de um novo rumo para a administração.

Mais uma vez, no entanto, pesou a falta de decisão do prefeito e a hesitação incorporadas à sua marca negativa na gestão da capital. Já estamos no dia 5 e Rogério Cruz sequer teve a consideração de informar Braga sobre o adiamento das medidas de reorganização, se é que algum dia pretendeu adotá-las. Braga não é de engolir esse tipo de desaforo – nem nenhum outro. Foi a O Popular e advertiu: caso a sua proposta não venha a ser imediatamente acolhida, está de saída. De resto, deu uma entrevista depreciativa em último grau para o “prefeito Rogério”. Deixou claro a existência de uma desorientação institucional sobre as ações da prefeitura e mais ainda despreparo e ausência de liderança para enfrentar um desafio tão grande quanto o comando do maior centro urbano do Estado.

Braga é o marqueteiro mais bem sucedido da história de Goiás. Coleciona mais vitórias, algumas difíceis, do que derrotas. Tem como característica principal um modelo conservador de comunicação política e eleitoral, sem invencionices, de pés no chão, sempre aproveitando prioritariamente as falhas dos adversários. Essa é a sua praia e tem dado certo. Mas não é perfeito – ninguém é – e comete erros, a maioria decorrentes de um fato muito simples: costuma ser maior que os seus clientes. Foi por isso que não permitiu que um deles, na eleição passada, tivesse no mínimo mais alguns milhares de votos do que teve. Sim, isso aconteceu com Gustavo Mendanha, proibido por Braga de se aliar com o ex-governador Marconi Perillo e assim perdendo a oportunidade para aumentar significativamente o seu tempo de propaganda no horário gratuito do rádio e televisão. Mendanha se submeteu e deu no que deu.
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Sem dúvida nenhuma, no entanto, sua influência seria monumentalmente benéfica para Rogério Cruz. No cenário instalado em Goiânia com a desistência da filha de Iris Rezende, Ana Paula, o prefeito, bem aprumado, dada as vantagens oferecidas pelo seu cargo quanto a uma grande visibilidade, poderia crescer e se habilitar até mesmo ao apoio do governador Ronaldo Caiado – dono de uma espetacular aprovação entre as goianienses e os goianienses. É essa a rota de voo traçada por Braga para Cruz e é a mais acertada. A tese do marqueteiro seria uma espécie de saída única para a situação: o prefeito teria baixa aprovação por ser desconhecido e por não divulgar com eficiência o que fez até agora, porém, suprindo-se essa lacuna, acredita Braga, viria naturalmente uma elevação do conceito de bom + ótimo nas pesquisas e o norte para mais um mandato entraria automaticamente no radar.
Falta aí incluir uma preliminar da maior importância: a ilegitimidade de Rogério Cruz, que não foi eleito para o cargo e, assumindo, não só não buscou, como abriu mão do fiapo de credibilidade garantido pela participação do MDB na sua equipe de auxiliares e pelo apoio do filho do titular infelizmente falecido Maguito Vilela, Daniel Vilela. Foi um gesto inconsequente… e insano, um suicídio em praça pública. Ao dispensar esses trunfos, o prefeito praticamente contratou uma derrota capaz de encurtar o seu horizonte político, em um modo próximo do irreversível. Ainda assim, o “plano de ação” de Braga seria uma possibilidade real, à falta de qualquer outra, ainda mais em um momento em que o cronômetro eleitoral inicia a última volta do seu ponteiro, a menos de 13 meses das urnas de 2024.