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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 set

Esvaziamento de congresso conservador em Anápolis expõe a fraqueza da direita

O congresso conservador realizado em Anápolis no último sábado, 2, acabou resultando em um fiasco. Para começar, os 600 lugares disponíveis no Teatro São Francisco, nas dependências do colégio homônimo, no Bairro Jundiaí, não tiveram a metade ocupada (vejam a foto acima: atrás da senadora Damares Alves, a falta de plateia é ostensiva). Depois, a estrela potencial do evento, no caso o ex-presidente Jair Bolsonaro, não foi e não mandou representante, provavelmente por não ter tempo a perder além de se preocupar em encontrar uma saída para o escândalo das joias. Sequer se justificou. Afora Damares e o deputado federal Gustavo Gayer, nenhum dos luminares da direita brasileira apareceu. Na ausência de maiores atrativos, a mídia mal cobriu o fracassado encontro. A pretensiosa ambição de discutir os “novos rumos da direita conservadora no Brasil” escorreu pelo ralo.

 

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O senador Wilder Morais, um dos palestrantes anunciados, não foi nem mandou satisfações. Deputados federais lacradores como Bia Kicis, Marcos Pollon e Coronel Zucco, apesar de citados no material promocional do evento, não marcaram presença. O prefeito Roberto Naves passou por rápidos minutos pelo auditório. Assustou-se com as cadeiras vazias e tratou de vazar. Magda Mofatto? Ausente. Major Vitor Hugo? Esse esteve lá e até se esforçou, aproveitando seu discurso para fazer propaganda de um tal instituto Harpia, que ele está fundando para supostamente centralizar estudos direitistas sobre o país. Se repetir a organização do congresso anapolino, colherá um desastre.

Pobre direita. Com Bolsonaro expulso do poder, perdeu a condição de mobilizar apoiadores e não sabe o que dizer para a sociedade, a não ser atacar com xingatórios o PT e o presidente Lula. Para Goiás, a sua única proposta é um certo movimento Invasão Zero, criado para eliminar as ocupações ilegais de terras – de resto já zeradas depois que o governo federal retirou apoio ao MST e condenou ações violentas. Fora daí, não houve ideias a apresentar. O que se viu foram simulacros de políticos, intelectualmente pobres, sem retórica convincente e meros adeptos de clichês retrógrados. Não têm a menor consciência sobre o conteúdo doutrinário da ideologia que acreditam professar. A direita goiana, se é que isso existe, mostrou-se incapaz de reunir gente para ouvir a prosopopeia de radicais como Gustavo Gayer e alguns malucos de Anápolis, defensores apaixonados da livre circulação de armas, e não soube ocupar o espaço vazio com ideias – sim, no campo direitista moderno existem propostas interessantes, a maioria vinculadas ao liberalismo econômico. Não é o que se chamou atenção em Anápolis. Lá, foi um tiro no próprio pé.