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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 jan

Caiado, polarização e urgência administrativa: os 3 condicionantes da eleição em Goiânia

Já começa a se delinear o cenário político e social da eleição para prefeito de Goiânia daqui a 8 meses. Não há maiores dificuldades para se prever um quadro onde pesarão para a decisão das urnas 3 fatores condicionantes: a influência do governador Ronaldo Caiado, a polarização ideológica dominante do Oiapoque ao Chuí sem dar sinais de arrefecimento e, finalmente, a urgência para se achar um caminho para superar o infortúnio administrativo do prefeito Rogério Cruz.

Será por aí. Caiado vai ter importância em razão da elevada aprovação do seu governo, neste início de ano variando entre 77 e 83%, a depender do instituto responsável pela pesquisa. Em 2022, teve a reeleição consagrada pelas goianienses e pelos goianienses, ao receber 44% dos votos válidos na capital. Não à toa, o mais célebre marqueteiro estadual, o Jorcelino Braga, acaba de reconhecer: um candidato apoiado pelo governador largará sem dúvidas em vantagem. A recomendação de Caiado tende a ser bem acatada, diante do seu indiscutível perfil de seriedade e responsabilidade como homem público – que não apostaria, jamais, em um engodo.

 

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Vem em seguida o enfrentamento entre direita e esquerda desde há algum tempo transformado em uma espécie de nuvem de contágio a pairar sobre tudo e sobre todos no Brasil. O próprio presidente Lula e o seu arquirrival Jair Bolsonaro fazem questão de manter a fogueira acesa jogando mais gasolina a cada dia, sem trégua. O choque de visões do mundo, portanto, vai estar presente em Goiânia, assim como na maioria dos grandes centros urbanos, contaminando uma escolha que deveria se pautar por critérios de preparo técnico, político e gerencial. Mas não vai ser assim. E mais ainda em uma capital onde, no pleito passado, Bolsonaro aplicou uma surra de votos em Lula, confirmando a suspeita de se tratar de um eleitorado predominantemente conservador, em princípio.

O terceiro item decorre do que pode ser chamado de urgência administrativa, ou seja, a necessidade de se encontrar uma solução e uma compensação para os anos malsucedidos da infeliz era Rogério Cruz. A essa altura, uma reversão das expectativas desfavoráveis quanto a reeleição de Cruz parece absolutamente improvável, apesar da boa fé do prefeito e da sua crença em uma virada de mesa. O fato é que, impactada pelo que acredita ser uma má condução dos negócios municipais, conforme expresso no baixo índice de aprovação revelado pelas pesquisas, a população buscará um gestor apto a garantir qualidade gerencial e de se pautar em rumo contrário do que acontece hoje. Isso ajudará a puxar a eleição para o seu leito natural, com a priorização dos desafios locais e a indicação de uma autoridade capaz de oferecer respostas, em uma espécie de antagonização direta com a atual conjuntura do Paço Municipal.

Um somatório dessas 3 variáveis irá confluir para produzir o próximo prefeito de Goiânia, em proporções desconhecidas e sobre as quais só se pode especular, por enquanto. Caiado, a polarização ideológica e pressão pela volta da estabilidade administrativa desenharão o painel sob o efeito do qual se dará o desfecho das urnas daqui a 24o dias na capital. O candidato que se encaixar melhor, levará.