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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 out

Embaralhada final criou incerteza sobre o adversário de Mabel no 2º turno: Fred ou Adriana

Já sabemos que haverá 2º turno em Goiânia. É notório também que, pelos indicativos das últimas pesquisas, o empresário e candidato da base governista Sandro Mabel (UNIÃO BRASIL) será um dos competidores. O outro? Imaginava-se que seria Adriana Accorsi (PT), mas agora surgiu um cenário alternativo em que Fred Rodrigues (PL) cresceu e se transformou em possibilidade com alguma dose de realidade.

Adriana enfrenta as consequências dramáticas da vinculação ao PT, que ela tentou esconder fugindo do vermelho no visual da sua campanha e “mudando” o seu número para 1 + 3, em vez de 13, invencionice fajuta do seu marqueteiro Jorcelino Braga. Lula, no seu horário gratuito de rádio e televisão da Adriana, virou “o presidente da República”. Este blog alertou que essa estratégia corresponderia a uma tentativa de iludir as goianienses e os goianienses e teria potencial para tirar a credibilidade de uma mulher de raro valor e preparo, derrubando a sua candidatura. Foi o que aconteceu. Não há outra explicação, a não ser esse erro de estratégia, para justificar a situação inesperadamente difícil de Adriana.

Fred Rodrigues entrou em ascensão nesse vácuo, talvez puxando para si pontos preciosos de um descaracterizado e anódino Vanderlan Cardoso, cuja candidatura perdeu o sentido ao ser identificada apenas com um processo pessoal de poder, ele na capital, a mulher Izaura Cardoso em Senador Canedo. Um desastre, no final das contas, que pode significar o fim da carreira política do atual senador, um dos políticos mais solitários e isolados que já se viu na história de Goiás. Mas, atenção: Fred também drenou parte, pequena, das intenções de voto em Mabel, que, no entanto, acabou se sustentando em razão do apoio que recebe de um governador bem avaliado e com credibilidade como Ronaldo Caiado. A vantagem do Sandro é evidente.

 

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Um 2º turno entre Mabel com Adriana se caracterizará como uma barbada para o candidato do Palácio das Esmeraldas, então erigido em herdeiro dos votos de Vanderlan, Fred e Rogério Cruz. Quase nada desse legado irá para a petista. Não por coincidência, Antônio Gomide seguiu uma trajetória de decadência parecida em Anápolis, também sobre o jugo de ferro do marketing de Braga, igualmente convertendo ali o seu cliente em um petista envergonhado – quem sabe o único caminho possível em um colégio eleitoral fortemente dominado pelo bolsonarismo, porém destinado a um previsível trágico desfecho – em política, não se nega impunemente as raízes.

Já um confronto entre Mabel e Fred no 2º turno tenderia a atrair para Goiânia uma atenção maior do ex-presidente Jair Bolsonaro, de olho na oportunidade subitamente criada para vencer em uma capital e ainda por cima diante de um concorrente de peso dentro do mesmo campo ideológico, Caiado. Mesmo com esse perigo, o favoritismo é de Mabel. Caiado se empenhou na campanha do seu apadrinhado como se ele próprio fosse o candidato. Jogou todas as fichas, sem medo. Assim como fez o mesmo em Aparecida, comprometendo-se até o último fio de cabelo com a eleição de Leandro Vilela. Esse denodo tem indiscutíveis consequências favoráveis para os beneficiados.

Uma eleição inicialmente morna, a de Goiânia esquentou na reta final e agora promete uma prorrogação assemelhadamente fria, agora mais animada se Fred conseguir um lugar ao sol. Apesar de todas as novidades dos últimos dias, o quadro mais provável é o de uma disputa em quase nada acirrada entre Mabel e Adriana Accorsi. Isso, contudo, perdeu o ar da antiga certeza de antes do salto de Fred Rodrigues nas pesquisas. A vantagem do Sandro continuará a mesma que já mostrou resultados, ou seja, o apoio altamente compromissado de Caiado, um governante que desfruta de um conceito elevado em todo o Estado e é visto como suficientemente sério e responsável para ter uma recomendação atendida pelo eleitorado da capital. Caiado fez a diferença no 1º turno e continuará fazendo no 2º turno.