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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 dez

Transição vai mais ou menos em Goiânia, empaca em Aparecida e não existe em Anápolis

Falando sobre a situação da prefeitura de Goiânia, mergulhada no caos, o governador Ronaldo Caiado fez uma colocação da maior importância: disse que os órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas dos Municípios e o Ministério Público Estadual, falharam na sua missão de prevenir e até curar a deterioração que tomou conta desde há muito tempo dos serviços essenciais para a população da capital, como o atendimento de Saúde e o recolhimento do lixo – aliás, pontos básicos de qualquer núcleo urbano. Tudo isso entrou em colapso em Goiânia, não hoje, porém, repetindo, desde há muito tempo, nas barbas do TCM e do MPE, absolutamente inertes diante de um ostensivo descumprimento da lei e da inoperância absoluta que vem lá de trás.

Oportuno o que Caiado jogou na mesa. Só que o buraco é mais embaixo: TCM e MPE seguem cegos e surdos, assistindo calados a processos obrigatórios de transição entre governantes municipais atuais e futuros que não passam de farsa. Em Goiânia, as coisas vão um pouco melhor, mas ainda abaixo do que deveria ser incumbência do prefeito Rogério Cruz para municiar a próxima gestão de informações e meios para antecipar soluções urgentes. Cruz, se tivesse um senso de responsabilidade mínimo, conquistaria alguma grandeza se renunciasse aos dias finais do seu triste mandato, transferindo o bastão para o presidente da Câmara Romário Policarpo preparar a administração que vem aí, em conjunto com o prefeito eleito Sandro Mabel, poupando um tempo precioso e diminuindo o calvário das goianienses e dos goianienses com o moribundo pateta do Paço Municipal.

Em Aparecida, o prefeito Vilmar Mariano brinca com fogo. Ele mandou para a equipe de transição do novo prefeito Leandro Vilela um pacote de relatórios abertamente insuficientes sobre a situação da prefeitura onde rasteja em seus últimos momentos. Não deu bola para a resolução do TCM que determina a prestação de informações e o fornecimento de documentos sobre a realidade da administração e enviou uma papelada de fancaria. Sem disfarces, o fanfarrão aparecidense faz o que pode para atrapalhar a arrancada de Vilela a partir de 1º de janeiro, acumulando dívidas milionárias e manipulando o caixa da prefeitura para pagamentos fora da ordem cronológica e visivelmente suspeitos. É caso de polícia, mas… onde está o TCM? Onde está o MPE?

Em Anápolis, simplesmente não existe processo de transição. O prefeito Roberto Naves, ressentido com a sua baixa aprovação popular e vítima de uma das maiores derrotas na recente eleição municipal, viajou para o exterior por conta dos cofres públicos, voltou com alguns quilos a mais e promoveu uma gastança sem sentido a pretexto de comemorar o Natal. Naves, que engordou a ponto de somar hoje o dobro do peso que tinha quando tomou posse no 1º mandato, tornou-se a imagem física da lerdeza e da prevalência de interesses pessoais sobre os interesses públicos. Seu adversário-mor, o vitorioso Márcio Corrêa, vai receber uma prefeitura arrebentada e pressionada por credores, ao mesmo tempo em que, tal qual em Aparecida, encontrará um cemitério de obras paralisadas.

 

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TCM e MPE falharam em Goiânia, alertou Caiado, mas faltou acrescentar, em Aparecida e em Anápolis também. Quem paga o pato é o povo, enquanto conselheiros e promotores vivem a boa vida, garantidos pelos seus supersalários e seus privilégios. O que faz a diferença, dessa vez, é que tudo está escancarado, à vista de todos, como denunciou o governador. Destruíram Goiânia, destruíram Aparecida e destruíram Anápolis – e de quem caberia uma reação não se viu e não se vê providência alguma. Não são capazes nem de responder à denúncia de Caiado, gravíssima. Acumpliciaram-se com o que está acontecendo, em prejuízo das maiores cidades do Estado. Isso não pode continuar.