O choque de alta voltagem na Secretaria municipal de Cultura
Os momentos iniciais dos mandatos dos novos prefeitos de Goiânia, Aparecida e Anápolis são manifestação de uma autoridade inédita, muito acima dos seus desgastados e ineficientes antecessores. Há um apropriado sentido de urgência na agitada movimentação de Sandro Mabel, Leandro Vilela e Márcio Corrêa – e isso engrandece e projeta todos eles. Urgência para resolver. Dentre os três, o destaque vai obviamente para Mabel e o ritmo frenético que mesmo antes da posse já imprimiu para a função a que, ainda não eleito, já parecia vocacionado.
Depois do marasmo do passado, parece que Goiânia, em especial, foi tomada por uma onda de eletricidade. Mabel é uma usina de iniciativas, fala e decide diariamente sobre dezenas de assuntos e situações. O vácuo dos últimos anos foi preenchido. O novo prefeito da capital tem determinação para enfrentar desafios e até mesmo vai atrás deles. Digamos que, onde não há, ele cria um. Um exemplo é a nomeação de Uugton Batista para a Secretaria da Cultura, não apenas um bolsonarista assumido, como também o maior amigo de Jair Bolsonaro em Goiás. Foi Uugton que, durante a campanha, conseguiu o sinal verde do ex-presidente para uma composição do UNIÃO BRASIL com o PL, com a indicação de Fred Rodrigues para vice de Mabel – operação vetada pelos ciúmes e e pelas pretensões políticas do senador Wilder Morais e do deputado federal Gustavo Gayer.
LEIA MAIS
Cruz, Vilmarzim e Naves: chega ao fim a Era da Incompetência
Mabel cria a figura do prefeito elétrico e preenche o imaginário de Goiânia
Mabel, Vilela e Márcio Corrêa: a oportunidade histórica que eles não podem jogar fora
Em um secretariado de figuras medianas, sinal da clara e consciente predominância da liderança administrativa e do centralismo do Sandro, inerentes à sua personalidade, não é exagero afirmar que Uugton Batista é uma estrela solitária. Explico: a pasta para a qual foi indicado, afora a área de mobilidade urbana, é a que mais tem a ver com o dinamismo natural e o patrimônio humano de uma pequena metrópole como Goiânia. É onde as coisas podem acontecer, a partir das intenções de Mabel no sentido de conceber de fato uma capital nacional para a música sertaneja. Tem raízes, gera riquezas e empregos e pode levar a um surto de autoestima entre a população. Passa da hora, aliás.

A própria contestação que o secretário de Cultura sofreu e que ele enfrentou de peito aberto traz grandeza, ao representar uma espécie de chamamento para um desempenho acima das expectativas. “Atenderei a todos os movimentos culturais, do hip-hop ao sertanejo, sem distinção partidária ou ideológica”, comprometeu-se, ao definir a sua agenda de trabalho. Está certo: o universalismo é a essência de qualquer política cultural. E a falida secretaria municipal que Uugton Batista assumiu necessita é disso mesmo: um choque de alta voltagem. Esse é o caminho.