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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 jan

Mutirão? Isso é muito bom, mas… não resolve

Mais uma vez, estamos vivendo uma época de mutirões tocados por prefeitos recém-empossados por esse Goiás afora. Estão todos – ou quase todos – nas ruas montados em tratores e empunhando enxadas ou foices para limpar as ruas das suas respectivas cidades. Prestem atenção, leitoras e leitores: daqui a pouco tempo, nenhum mais será visto nesse tipo de cenário. Os mutirões são oportunos, porém… não resolvem, porque são ações emergenciais quando a população quer rotinas administrativas e estáveis para garantir uma condição de vida urbana razoável para as suas famílias e comunidades.

 

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Desde que foram inventados por Iris Rezende, há mais de 60 anos, mutirões são sinônimo de demagogia e populismo. Tá, é verdade que atendem a urgências quanto ao lixo, mato e pequenas erosões. São válidos. Repetindo: não representam, contudo, o que os desconfiados moradores dos bairros anseiam. Eles querem a continuidade, somada a um padrão qualidade, dos serviços de zeladoria nas regiões onde vivem e, de resto, na cidade toda. O mato roçado hoje, ainda mais sob chuvas regulares, volta em três semanas. Da mesma forma, bastam dois ou três dias de não recolhimento do lixo para empestear os lotes baldios e as calçadas.

 

É preciso reconhecer que o caos deixado por gestões fracassadas como a de Rogério Cruz, em Goiânia; Vilmar Mariano, em Aparecida; e Roberto Naves, em Anápolis, para ficar nas maiores concentrações demográficas do Estado, criou uma exigência incontornável para as operações prementes de asseio dessas cidades. Em Goiás, o nome atribuído a essa movimentação é mutirão. O desafio, para Sandro Mabel, Leandro Vilela e Márcio Corrêa. Em poucos dias ou semanas, no entanto, essa etapa estará superada e precisará ser substituída por uma ação permanente, planejada e constante na execução dos serviços públicos de maior proximidade com a população.

Será esse o ponto em que a popularidade e a aprovação dos novos prefeitos começarão a ser construídas, com o encerramento da fase de lua de mel garantida pelo capital político e social que cada um adquiriu com as suas respectivas eleições. Um novo modelo administrativo terá que ser buscado, para retomar a era dos prefeitos competentes e resolutivos – e, de resto, bem avaliados nas pesquisas. Em Goiânia, Aparecida e Anápolis, praticamente não sabemos mais o que é isso.