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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 jan

PL está desorganizado em Goiás e isso compromete a direita bolsonarista

Depois de duas derrotas acachapantes – em Goiânia e em Aparecida, em ritmo de virada e de afirmação plena da liderança do governador Ronaldo Caiado – e de vencer em Anápolis, porém com um candidato (Márcio Corrêa) umbilicalmente ligado ao vice-governador e presidente do MDB Daniel Vilela, o PL estadual mergulhou em uma crise ao que tudo indica fatal para a sua sobrevivência futura.

Sim, fatal. O presidente do diretório estadual do partido Wilder Morais não tem moral nenhuma com a cúpula nacional e muito menos com o ex-presidente Jair Bolsonaro, guru supremo da legenda. Corre por fora o deputado federal Gustavo Gayer, hoje totalmente absorvido pelos processos que podem cassar o seu mandato a partir de estrepolias irresponsáveis quanto aos gastos por conta do seu gabinete e também em razão de calúnias lançadas contra desafetos políticos. De resto, Wilder e Gayer enfrentam um desafio interno, qual seja a proximidade que o vereador mais votado em Goiânia, pelo PL, Major Vitor Hugo, oooops… Vitor Hugo, sem o “Major”, com Bolsonaro (ele cortou o título militar já se preparando para concorrer ao Senado em 2026).

O Vitor Hugo tem ideias próprias e trafega em um caminho exclusivo, talvez acreditando que o melhor para o PL em 2026 seria uma composição para apoiar Daniel Vilela para o governo do Estado, recebendo em troca uma das vagas preferenciais para concorrer ao Senado, repetindo, para ele próprio. Gayer também quer e tem o apoio de Wilder, mas nesta semana o Jair mandou um recado para os dois, quando, em entrevista concedida à rádio Auri Verde Brasil, de São Paulo, o Jair afirmou que a escolha dos candidatos ao Senado pelo PL, nas próximas eleições, passará por ele e não “vai ter peixada”, “não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho”, citando especificamente o caso de Goiás: “Não é quem o presidente de Goiás quer. Wilder, não é quem você quer. Assim como em todos Estados, vai passar por mim”.

“Passar por mim” significa Vitor Hugo. Mesmo afastado do diretório estadual do partido, é ele o grande amigão do peito de Bolsonaro em Goiás, ninguém mais. O recado foi dado. Vitor Hugo é maior que o PL goiano em se tratando de bolsonarismo fiel e radical. Wilder é um apenas um oportunista, e Bolsonaro sabe, de resto sem estofo intelectual ou ideológico para sustentar as suas convicções políticas, tomadas de ocasião para pavimentar seu caminho eleitoral. No Senado, não passa de um zero à esquerda que não brilha nem mesmo no baixo clero. Gayer é um pouco melhor do que isso. Mas faz besteiras demais, uma delas aparentemente irremediável e capaz de reduzir o seu prestígio junto ao ex-presidente: a lambança com as verbas do seu gabinete na Câmara Federal e da mesma forma, pior ainda, com as emendas orçamentária colocadas ao seu alcance. A barra de Gayer se sujou. Nem ele nem Wilder têm a menor condição de fazer frente ao poder de Vitor Hugo em se tratando de acesso às decisões de Bolsonaro. Vitor Hugo é o dono da praça – e anotem aí, leitoras e leitores: pelo andar da carruagem, será candidato ao Senado, na chapa de Daniel Vilela ou não. Wilder e Gayer serão detonados e irão para o espaço.

 

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