Ex-prefeitos vitoriosos ou derrotados aguardam vaga na equipe de Caiado, mas…
…pode não dar em nada. É um movimento tradicional: após eleições municipais, prefeitos que concluíram seus mandatos e ganharam ou não com os candidatos que apoiaram nos seus respectivos municípios, entram em modo de espera, aguardando o consolo de uma convocação para o secretariado estadual. Sempre foi assim, desde os tempos de Iris Rezende, Maguito Vilela e Marconi Perillo. Para disfarçar o que na verdade é um processo de acomodação baseado em empregos bem remunerados, criou-se a tese de que após cada eleição municipal é indispensável readaptar a máquina governamental ao cenário que emerge das urnas com a inclusão de alguns ex-prefeitos, mesmo, em certos casos, derrotados em suas bases.

Nesse último caso, enquadra-se o ex-prefeito de Jataí Humberto Machado, do MDB, que foi surpreendentemente vencido por um adversário bolsonarista (Geneilton Assis, do PL) – ao cometer o erro de optar por uma campanha morna, em que se apresentou como eleito por antecipação. Machado está na praça, surfando em um verdadeiro tsunami de notas e matérias sugerindo o seu nome para uma dezena de cargos estaduais, entre os quais nada menos nada mais que a Secretaria de Infraestrutura (hoje ocupada por Pedro Sales). O governador Ronaldo Caiado, no entanto, não dá uma palavra sobre uma eventual reforma do seu secretariado para abrir espaço para a “nova realidade” que viria dos municípios.


Há mais candidatos à espera de um convite de Caiado. Dois dos mais importantes são os ex-prefeitos de Anápolis Roberto Naves, do REPUBLICANOS, e de Catalão Adib Elias, do MDB. Ambos, quase pulando por conta própria para dentro do governo do Estado, se isso fosse possível. Naves, que saiu em baixa da prefeitura anapolina, tenta se aproveitar do prestígio teórico da mulher Vivian Naves como deputada estadual, do PP, já que o seu capital político próprio se esfarelou, em especial diante do fechamento desastroso dos seus dias de poder. O lobby de Adib, por sua vez, é comandado pelo deputado federal José Nelto, do UNIÃO BRASIL, mestre em comunicação via entrelinhas das notas das colunas políticas. Infelizmente, o ex-prefeito de Catalão sofre com uma desvantagem: o seu péssimo estado físico, em razão das sequelas da Covid-19, que o fizeram passar pelo calvário de 17 cirurgias. Pelo sim, pelo não, o médico e governador Caiado não dá nenhum sinal de que vai atender a essa turma.
Já se sabe que Caiado é uma liderança que não respeita parâmetros estabelecidos. Ao contrário, costuma quebrá-los. Em regra, só nomeia para a sua equipe quem desfruta da sua confiança direta e, em sua maioria esmagadora, possui qualificação técnica comprovada. No geral, deputados e partidos nunca são ouvidos na composição do secretariado. O governador pensa e age fora da caixa, ainda mais a tradicional: hoje, ninguém apostaria na hipótese de que ele venha a bulir no time que comanda a administração desde praticamente o início do seu primeiro mandato só para acomodar ex-prefeitos. É o que está desenhado, porém pode haver novidades – porque a cabeça de Caiado é impenetrável.
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