Sociedade cansou-se do lenga-lenga da Comurg, que dura anos. Precisa acabar
Vem de anos e anos o lenga-lenga do noticiário sobre a Comurg, sem nunca se chegar a lugar nenhum. A mistura initerruptamente apresentada à opinião pública inclui ingredientes nocivos como ineficiência, corrupção (da grossa, aliás), politicagem, supersalários e todo tipo de ocorrências deletérias, com um molho apimentado de operações policiais rotineiras e muito, mas muito dinheiro do contribuinte jogado pelo ralo. É um caso único, em termos de Brasil. E o pior é que não cessa nunca.

Sandro Mabel recebeu das urnas um voto de confiança para que tudo isso venha enfim a ganhar um ponto final. Ninguém aguenta mais. Mas a Comurg é resiliente. O acumulado de malfeitos é tamanho que não desaparecerá tão cedo. Que ninguém a subestime. É tarefa de Hércules para Mabel, assemelhando-se à limpeza das estrebarias do rei Augias, cuja sujeira perniciosa amontoava-se em camadas durante décadas. O herói mítico conseguiu sanear a porcaria toda desviando o curso de um rio, e a façanha terminou listada no 5º lugar entre os seus 12 monumentais trabalhos e daí assumindo um lugar de destaque nas lendas sobre os deuses do Olimpo (oooops… Hércules era um semideus).
Não é exagero, leitora e leitores. É o que se aguarda de Mabel. Ele fez uma espécie de intervenção militar na Comurg, designando uma tropa de coronéis teoricamente linha-dura da Polícia Militar, criando uma espécie de sinalização para a seriedade com que pretende tratar da companhia. Infelizmente, o prefeito foi mal ao engolir um diretor ligado ao triste histórico da empresa, porém, pode ser que tenha até acertado ao estabelecer um laço entre o que existia e o que se pretende fazer. É cedo para conclusões. Mabel sabe que não pode errar, sob o risco de comprometer, pela grandeza do desafio, o seu mandato.
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Resolver o imbróglio da Comurg é mais importante do que qualquer outra ação imediata esperada do novo prefeito de Goiânia. Já estamos nos meados de fevereiro e o tempo passa. Nada é mais urgente, hoje, do que o afastamento da Comurg das manchetes negativas, garantindo um alívio para as goianienses e os goianienses cansados de tantas estrepolias sem enxergar no horizonte uma solução definitiva e, acima de tudo, emoldurada por uma absoluta credibilidade. É um verdadeiro bombardeio, cotidianamente, praticamente com uma ou duas páginas reservadas a cada edição de O Popular. Precisa acabar.