A perseguição de O Popular à Assembleia: Poder apanha porque é “desarmado”

Perseguição jornalística – é o que melhor define a insistência de O Popular em tentar caracterizar a Assembleia Legislativa como um Poder perdulário, com excesso de funcionários e gastos desmedidos, como se fosse possível manter em funcionamento a instância mais representativa de uma democracia sem consumir recursos do contribuinte e assim sem alcançar os seus objetivos – lembrando que é justamente o Parlamento que traduz com fidelidade a essência do constitucionalismo em um Estado de Direito, qual seja a obrigatoriedade de participação popular. Ruim com o Legislativo, imaginem sem ele.
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Na linha oposta ao que advoga O Popular, o quadro de servidores da Assembleia deve ser avaliado pelo seu custo final, abaixo, como informa o presidente Bruno Peixoto, da Câmara Distrital de Brasília, com as suas 24 cadeiras – aqui, como se sabe, são 41. Se os valores são distribuídos por cinco mil comissionados e pouco mais de 300 efetivos, não é o que conta. Em tese, mantido o limite da despesa, poderiam ser 10 mil, sem problema algum. No Legislativo goiano, os percentuais são rigorosamente cumpridos. Mesmo assim, não se trata de números, mas, antes, da qualidade dos serviços prestados em consonância com os interesses da população da capital e dos 245 municípios, além do cumprimento de um papel institucional decisivo.
Como, estruturalmente, o Legislativo é um Poder desarmado e desequipado, é comum que meios de comunicação o escolham como saco de pancadas. Existem aberrações inaceitáveis no Judiciário, no Ministério Público e nos dois Tribunais de Contas, o do Estado e o dos Municípios: supersalários em profusão, uma miríade de penduricalhos, nepotismo e outros desvios que a sociedade, dada a frouxa cobertura fiscalizatória da imprensa, simplesmente não conhecerá jamais. A Assembleia, ao contrário, é um Poder transparente, de fácil acompanhamento, com um índice de extravagâncias, se há, muito, mas muito abaixo dos seus Poderes congêneres. Por que é que O Popular não compara o orçamento parlamentar com o do Judiciário, o do Ministério Público e os das Cortes de Conta?
A jornalista Consuelo Nasser, quando editava o polêmico jornal Cinco de Março (que ninguém hoje em dia sabe o que foi), ensinava que o Legislativo precisa sempre ser preservado, na medida em que se constitui na trincheira prioritária da liberdade de expressão e da soberania do povo. Claro, os tempos eram outros, duríssimos, sob a sombra opressora dos militares. Naquela época, combater o Legislativo tinha como consequência minar a resistência antiautoritária e antiprogressista. Não se iludam, leitoras e leitores: pela lei do eterno retorno, tudo isso está novamente em pauta, no momento, de uma forma diferente, mas tão intensa quanto nos idos do regime dos generais. Respeito pela Assembleia, portanto.