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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 mar

Wilder patina para montar sua candidatura a governador

Em princípio, o senador Wilder Morais (PL) teria tudo a favor para estruturar uma candidatura a governador em 2026: nada perderia porque estará no meio do mandato, seria representante do bolsonarismo e, sendo rico, teria recursos para gastar na campanha. Na prática, contudo, Wilder está em uma situação que piora a olhos vistos, pressionado por recados negativos que recebe do ex-presidente Jair Bolsonaro e prestes a contemplar sem reação uma debandada dos prefeitos do PL rumo à base do governador Ronaldo Caiado (cujo delfim é o vice Daniel Vilela).

Um tabu em Goiás é que empresários e negociantes podem até conquistar mandatos eletivos, mas jamais executivos. É verdade que, mesmo com esse perfil, Sandro Mabel foi eleito prefeito de Goiânia – porém, em circunstância especialíssimas, aproveitando-se de um vácuo aberto pela incompetência administrativa de Rogério Cruz e basicamente impulsionado pelo apoio do governador Ronaldo Caiado. Por ora, no entanto, Mabel está mais para exceção do que para regra, contando a seu favor um extenso histórico de atuação na política. Seja como for, Wilder passa longe. É difícil enxergá-lo além de um milionário diletante que ganhou de presente um mandato senatorial com a menor votação (proporcional) da história de Goiás, pouco acima de 700 mil votos em um eleitorado superior a quatro milhões e assim com uma legitimidade baixíssima.

 

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Pelo sim, pelo não, Wilder estaria à vontade para estruturar uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas. O que ele faz? Nada. Assim como nada fez para se eleger senador, limitando-se a exibir mensagens bolsonaristas na televisão e se beneficiar de uma onda nacional que levou para a câmara parlamentar mais alta do país uma maioria de apadrinhados pelo ex-presidente. Isso, agora, é passado. O futuro é o governo do Estado. Dos pretensos concorrentes, exige-se inteligência, habilidade e capacidade de articulação. Tudo o que falta a Wilder, na verdade. A maioria dos prefeitos eleitos no ano passado pelo PL está ostensivamente articulando para se transferir para partidos alinhados com a base governista e ele… não reage.

Do senador, o mínimo que se pode dizer é que é um homem esquisito. Ninguém sabe do que vive e qual a proveniência da sua fortuna. Amarga eventos constrangedores na sua vida pessoal que passam perto de catástrofes. Nunca apresentou um projeto de relevância mínima para Goiás o para o país, em seus anos no Senado (teve um mandato de sete anos e três meses como suplente que assumiu depois da cassação da Demóstenes Torres. Também nunca pronunciou um discurso relevante. Suas redes sociais são ridículas e fantasiosas, na medida em que o único objetivo de todas as postagens é mostrar prestígio junto a Bolsonaro, o que não se confirma diante das declarações seguidas do ex-presidente reduzindo a autoridade de Wilder sobre o PL goiano. Também não tem aliados: é mais um a fazer carreira política absolutamente isolado de outras lideranças ou personalidades conhecidas. É um zero à esquerda, cujo único mérito é provar que… um zero à esquerda pode virar senador da República.