Crise do tarifaço cria oportunidade para que governadores, Caiado incluso, resolvam com os EUA
Quase uma semana depois que o presidente Donald Trump impôs a tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o governo Lula permanece imobilizado, apenas concentrado em extrair dividendos eleitoreiros do episódio e se lixando para os efeitos deletérios a caminho para a economia nacional. Lula chegou ao disparate de dizer que “não tenho nada a conversar com o Trump”, sem falar na insistência em substituir o dólar como lastro do comércio entre as nações, embora ele nem saiba por qual moeda (“Quem é que tomou essa decisão?”, perguntou o ignaro presidente petista, quando a resposta é conhecida por qualquer um: o dólar como referência única foi uma das resoluções do Acordo de Bretton Woods, em 1944, subscrito inclusive pelo Brasil, destinado a equalizar – e fez isso muito bem – as dezenas de sistemas monetários pelo planeta afora e estabelecer um intercâmbio financeiro justo).

Um novo rumo está surgindo: se o Lula não consegue reagir, um grupo de governadores, liderados por Tarcísio de Freitas, de São Paulo, pode ser a alternativa. Entre eles, o de Goiás, Ronaldo Caiado. Mais Romeu Zema, de Minas; Ratinho Jr, do Paraná; Jorginho Mello, de Santa Catarina e talvez alguns outros. Caiado, aliás, saiu na frente até de Tarcísio de Freitas, ao condenar logo após o anúncio da tarifa de 50% as “afrontas gratuitas” que Lula vive disparando contra Trump. “Com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil. Mas Lula não representa o sentimento patriótico do nosso povo, e muito menos tem credenciais para defender a soberania brasileira”, postou o governador em suas redes sociais.
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A ideia de Caiado logo começou a ser comprada pelos colegas governadores e pela oposição: a criação de uma Comissão de Parlamentares, da Câmara e do Senado, além de representantes dos Estados que mais transacionam com os americanos (Goiás o oitavo), com objetivo de abrir diálogo com o presidente Trump. Não é impossível. Países inicialmente afetados pelas tarifas, como o México, acabaram superando o impasse com Tio Sam investindo em um processo rápido e ágil de negociação. E olhem, leitoras e leitores, que a presidente do México é uma esquerdista, Claudia Sheinbaum. Ela deu um show de competência ao livrar a sua nação do castigo – sim, a palavra é essa mesmo, enfrentar óbices na mercancia com a potência número um do mundo, em todos os setores, é saltar para dentro de um inferno – das taxas extras de alfândega de Trump (embora, neste fim de semana, tenha se confrontado com surpreendentes 30%, ainda assim uma taxa bem menor que a do Brasil).

Caiado também está certo ao mencionar as provocações infantis de Lula e suas levianas aventuras internacionais, tipo BRICS, cujo único resultado tem sido entregar o Brasil para a China, sem nenhuma reciprocidade que não a ditada pelos interesses objetivos dos chineses. Pior: dentro da concepção de uma diplomacia tocada na base de conversa de botequim. Pode ser que Lula, sentado para uma cerveja com Trump, como o petista gosta de fantasias, chegue a algum lugar – em seus sonhos. Por meios sérios e responsáveis, a partir da consciência da posição exata do Brasil, parece que só mesmo com o socorro dos governadores.