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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jul

Caiado faz o dever de casa e avança com oferta de crédito aos setores atingidos pelo tarifaço

 

 

O governador Ronaldo Caiado lançou oficialmente as linhas de crédito por conta do governo de Goiás para minimizar os impactos financeiros decorrentes da tarifação imposta pelos Estados Unidos. Com isso, Goiás foi o primeiro Estado a reagir de forma organizada à sobretaxa determinada pelo presidente Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Não é pouca coisa e mostra a capacidade de mobilização de Caiado. Goiás contará com três fundos que poderão ser acessados pelas empresas atingidas. “Somos um Estado que busca todos os mecanismos para auxiliar os empresários e os trabalhadores goianos. Essa é minha primeira preocupação como governador”, enfatizou o governador.

O primeiro é o Fundo Creditório, a nova linha de crédito criada pelo Governo de Goiás para apoiar os segmentos da economia goiana que mais exportam para os Estados Unidos, com estimativa de pelo menos R$ 628 milhões em créditos de Imposto sobre Circulação de Bens e Serviços (ICMS) passíveis de utilização como garantia para acesso à linha de crédito. A proposta será apresentada, oficialmente, em um leilão na Bolsa de Valores B3 em São Paulo, no dia 5 de agosto. A taxa de juros será de 10% ao ano, pelo menos três pontos percentuais abaixo das linhas subsidiadas por programas federais, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Plano Safra e fundos constitucionais.

A segunda opção apresentada por Caiado é a utilização do Fundo de Equalização para o Empreendedor (Fundeq), um fundo público de natureza financeira vinculado à Goiás Fomento, criado em 2020 durante a pandemia de Covid-19, com o objetivo de fornecer recursos financeiros para subsidiar o pagamento de encargos em operações de crédito. A terceira alternativa é a utilização do Fundo de Estabilização Econômica do Estado, uma reserva financeira – de que somente Goiás dispõe – que pode ser utilizada em momentos de crise econômica para garantir a continuidade de serviços essenciais.

 

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O pacote foi muito bem recebido pelo empresariado e elogiado pela imprensa nacional, que, ao mesmo tempo, critica o imobilismo do presidente Lula diante do tarifaço. Lula disse que não tem “nenhum assunto” a conversar com Trump, despertando críticas e até mesmo causando espanto aos setores atingidos pela decisão de Trump. Em resumo: as empresas interessadas nas soluções devem realizar o processo junto à Secretaria-Geral do Governo e, como contrapartida, assumir o compromisso de manter os empregos durante o período de acesso ao crédito. Segundo o Instituto Mauro Borges (IMB), os valores serão destinados a novos investimentos e ampliação de capacidade produtiva, mas podem também ser utilizados como capital de giro, com objetivo de manter os negócios em funcionamento em períodos de queda nas vendas.