Tarifaço vai afetar não só a economia, como a política em Goiás
O tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos vai afetar a economia goiana, que tem uma participação de mais ou menos 5% nas vendas para os norte-americanos. Vem aí uma ré anual superior a US$ 1 bilhão de dólares, afetando produtos agrícolas, carnes (que já estão em queda desde abril último), açúcar de cana, frutas, café e até hortaliças, dentre outros. Prejuízos, portanto, consideráveis para a balança comercial do Estado, tudo isso enquanto o presidente Lula continua fazendo palanque da sobretaxa com falas arrogantes e infantis, depois de ter cometido o erro capital de torcer contra Trump nas eleições do ano passado nos EUA, chamá-lo de “nazista e fascista disfarçado” e abrir uma campanha idiota e ignorante contra o dólar como moeda padrão das transações entre os países.
Mas o impacto do tarifaço não chegará apenas à economia, quanto a Goiás. Há questões envolvendo a esfera política e eleitoral, em linha direta com o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro na polêmica – pelo menos até agora com desgastes para a sua imagem, acusado junto com os seus familiares de traição à pátria. Isso pode se esvair ou, ao contrário, se intensificar, ninguém pode prever. Caso o bolsonarismo se enfraqueça, não é de se descartar algum reflexo capaz de prejudicar os candidatos que desde já ameaçam desfraldar a bandeira da extrema-direita nas eleições do ano que vem, a exemplo do deputado Gustavo Gayer, postulante ao Senado, e do senador Wilder Morais, uma possibilidade para o governo estadual, os dois pelo PL.

Há um talvez sim e um talvez não para cada um desses raciocínios. Atenção ainda para o movimento da base do governador Ronaldo Caiado de olho em enfileirar o PL no arco de alianças para a sustentação da candidatura de Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas, uma manobra que, dizem, contaria com a simpatia de Bolsonaro – cuja prioridade notória para 2026 é formar uma maioria sólida no Senado Federal, para o que uma composição com Caiado ajudaria muito, na medida em que facilitaria a vitória de Gayer mediante o seu alinhamento com a campanha da primeira-dama Gracinha, tida como favorita para uma das duas vagas senatoriais que estarão em aberto.
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Na seara política, ao enfraquecer ou fortalecer o Jair, o tarifaço, dessa forma, promete gerar consequências em Goiás, mas não favorecendo a esquerda, um segmento ideológico cada vez mais inexistente no Estado. Mesmo porque, a propósito, o PT e seus satélites não têm nomes viáveis nem para o Senado nem para o trono da Praça Cívica. Tal como aconteceu em Goiânia, na corrida do ano passado pela prefeitura, o jogo deve ser jogado dentro do campo da direita. Só a cogitação de que Gayer pode ser de algum modo esvaziado fará com que surjam interessados com potencial para a segunda vaga senatorial, tipo o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, o presidente da Agehab Alexandre Baldy e o deputado federal Zacharias Calil – todos diretamente vinculados à liderança de Caiado. E Caiado, anotem aí, leitoras e leitoras, com as boas posições adotadas até agora e a sua crescente visibilidade nacional, nessa linha de ação, tende a se fortalecer com a evolução do processo de reação e negociação diante do tarifaço de Trump.