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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 ago

Ato bolsonarista esvaziado em Goiânia deveria servir de alerta para Wilder e Gayer

 

 

O protesto bolsonarista em Goiânia no domingo, 3 de agosto, acabou completamente esvaziado. Pouca gente, espaços vazios e fotos em ângulo fechado nas redes sociais de políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro como o deputado federal Gustavo Gayer e o senador Wilder Morais. Os dois, aliás, pareciam não saber o que dizer nas suas falas, entoando promessas fantasiosas como um iminente impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Há mais de 50 pedidos nesse sentido protocolados no Congresso Nacional. Nenhum jamais andou um milímetro e tudo indica que nada vai mudar, pelo menos dentro do clima esquentado de Brasil x Estados Unidos. Mesmo assim, há ingênuos esperançosos por aí, porém talvez raros, a não ser as goianienses e os goianienses que se enrolaram em bandeiras do Brasil e vestiram camisas da seleção para se aglomerar em uma bolinha de gente na Praça Tamandaré.

 

 

Gayer pode ser bom de lacração no Instagram, mas é péssimo no palanque. Não empolga. Wilder, coitado, tem uma retórica pobre, piorada por uma fonética que dificulta entender quais palavras exatamente está usando. Argumentos, zero. Nesse quesito, o filho da saudosa delegada Conceição Gayer se sai algo melhor. Nem um nem outro sabem como catalisar as multidões, que, de resto, não havia no ato bolsonarista. A foto de O Popular, acima, documenta a pobreza do “palanque” que comandou a manifestação, de repente “enriquecido” pelo deputado federal Zacharias Calil, hoje provavelmente em marcha batida para deixar o UNIÃO PROGRESSISTA e se filiar ao PL para ocupar a segunda vaga senatorial no ano que vem (venhamos e convenhamos, uma aventura com altas probabilidades de fracasso).

 

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Goiânia, como se sabe, é tida como cidade de ampla maioria bolsonarista. Pesquisas e resultados eleitorais têm comprovado essa definição ideológica. Ao mesmo tempo, no entanto, nunca conseguiu dar ao ex-presidente demonstrações incontestes de força nas ruas. Nas urnas, ao contrário, essa hegemonia sempre aparece e com folga. Em 2022, o Jair perdeu a disputa com Lula, só que, na capital da música sertaneja, deu um capote no petista na base de 63 a 36% – uma surra homérica. Na sequência, em 2024, o bolsonarista Fred Rodrigues conseguiu surpreendentemente passar para o 2º turno à frente de Sandro Mabel (também certamente um bolsonarista, menos radical), mas tomou uma virada e foi derrotado, ao que tudo indica atropelado pelo prestígio transferido pelo governador Ronaldo Caiado para o Mabel. Somando-se fatores positivos e negativos, inclusive o fiasco de público do domingo, 3, há razões para concluir que Gayer e Wilder deveriam segurar o leme da extrema-direita com mais firmeza em Goiânia e Goiás, para não perder o rumo.