Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 set

Senado: Gracinha mantém a liderança, enquanto Gayer e Zacharias Calil disputam a 2ª vaga

Todas as pesquisas – as de credibilidade e até mesmo aquelas sobre as quais paira alguma suspeição – continuam indicando que a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÃO) tem assegurada a 1ª vaga na corrida pelo Senado, enquanto os deputados federais Gustavo Gayer (PL) e Zacharias Calil (MDB) disputam palmo a palmo a 2ª colocação. Atenção: com Gayer mais ou menos estacionado, sem crescer, enquanto Zacharias Calil avança sem parar a cada rodada dos institutos que apuram as intenções de voto.

 

 

Matematicamente, no agregado das pesquisas, Gayer está na dianteira sobre Zacharias, o concorrente mais próximo. Mas a diferença diminui a olhos vistos. Notem, leitoras e leitores: Zacharias Calil é um candidato a senador que esbanja predicados positivos. Para começo de conversa, de todos os 11 postulantes, é aquele que já tem a cara de detentor de cadeira na mais alta Casa Legislativa do país. Sim, o dr. parece já ser um senador. É sério, tem imagem consolidada de médico humanitário, não é político profissional e, rigorosamente falando, está léguas à frente dos antagonistas pela 2ª vaga em termos de imagem positiva e projeção. Anexou ao seu nome a opinião geral de que “merece ser eleito”. O seu slogan de campanha é simplesmente redondo: “Cuidar das pessoas, defender Goiás”(print acima). Perfeito.

 

LEIA TAMBÉM

Vanderlan já era: uma vaga no Senado é de Gracinha e a outra está entre Gayer e Zacharias Calil

Eleição para o Senado é fria, por natureza. Mas para o governo do Estado está gelada e isso não é normal

“Efeito Gracinha” favorece Zacharias Calil para a 2ª vaga senatorial e derruba Vanderlan e Gayer

 

Em um páreo em que Gracinha Caiado está confirmadíssima na 1ª vaga, Zacharias Calil enfrenta a rivalidade, para valer, de Gustavo Gayer, um candidato que só tem a oferecer o seu bolsonarismo radical. Oooops… Zacharias também é bolsonarista, digamos assim, porém mais esclarecido do que Gayer. De resto, ele é o beneficiário maior do efeito de arrasto da candidatura de Gracinha e, em conexão direta, do poder de tração da base governista, liderada pelo ex-governador Ronaldo Caiado, hoje uma força política sem precedentes na história de Goiás. (Não foi por acaso que Gayer se desdobrou na tentativa de uma composição com Caiado, para figurar na chapa aliada ao lado de Gracinha e assim garantir a sua eleição).

 

 

Não há adversários para Gustavo Gayer e Zacharias Calil na disputa pela 2ª vaga senatorial. Vanderlan Cardoso (PSD) e Gustavo Mendanha (PRD) não têm apelo popular para uma condução ao Senado (no caso de Vanderlan, recondução). É simples: basta se perguntar por que votar em um ou em outro para um mandato de tamanha importância. Por quê? Vanderlan jogou fora 8 anos sentado no plenário do Senado, sem consciência do que estaria fazendo ali e concentrando tempo e energia exclusivamente para enviar máquinas pesadas para os municípios. Mendanha? Quem é mesmo? Um ex-prefeito destrambelhado de Aparecida que não tem lealdade a nenhum grupo político e só se move empurrado pela sua vaidade pessoal.

Em resumo, as 2 vagas disponíveis para Goiás no Senado estão na seguinte situação: uma, sem dúvida nenhuma, para Gracinha Caiado, outra, ainda indefinida entre Gustavo Gayer e Zacharias Calil. Porém, com um prognóstico cada vez mais favorável ao doutor, como comprovado no andamento das pesquisas mostrando crescimento contínuo e sólido. A desvantagem, para Gayer, é que só capta votos bolsonaristas. Zacharias, uma parte desses e muito mais gente. E lembrando que ele já tem cara, jeito e postura de senador, o que é reforçado pelo seu material visual de propaganda, sinalizando a compreensão exata da missão de um senador da República: “Cuidar das pessoas, defender Goiás”. É simples. É o que Vanderlan Cardoso nunca percebeu. E Gustavo Mendanha, passando longe. Notoriamente, Gayer também tem dificuldades para entender esse papel (acha que é só para votar impeachment de ministros do STF). E perde muito ao se restringir a um nicho ideológico de votos, quando se limitar ao público bolsonarista puro pode ser insuficiente para vencer. Enquanto isso, Zacharias Calil navega por águas tranquilas e se fortalece para chegar ao pódio.