Assembleia: PEC anti-reeleição do presidente é farsa já que pode ser revogada a qualquer momento
Há um clima de desespero entre os deputados estaduais que querem manter o atual estado de coisas dentro da Assembleia Legislativa, qual seja garantir a continuidade do descalabro administrativo em que o presidente em fim de mandato Bruno Peixoto mergulhou a Casa. Inseguros com a possibilidade de não eleger para o comando do Poder um parlamentar do grupo, eles resolveram criar o que imaginam ser um apelo para atrair votos dos colegas: apresentaram uma emenda constitucional acabando com a reeleição da Mesa Diretora.

Emenda constitucional proibindo mais um mandato para o presidente da Assembleia é besteira pura, leitoras e leitores. Esse dispositivo anti-reeleição já foi aprovado e revogado inúmeras vezes, no passado. Bruno Peixoto, inclusive, foi reconduzido à presidência, em 2023, depois que o plenário convenientemente derrubou um artigo da Constituição Estadual que vetava a sua permanência no cargo por 2 mandatos consecutivos. Ou seja: a qualquer momento, assim como vão aprovar agora, os deputados podem promover a revogação. À jato, conforme a conveniência do momento. Sem peso na consciência, nada mais que um casuísmo de oportunidade.
Havia um ardiloso plano, entre os 22 reeleitos para a próxima Legislatura, concebido para assegurar o controle da Assembleia (leia-se: a conservação da escandalosa coleção mordomias, benesses e privilégios instituídos sob a “liderança” de Bruno Peixoto), atropelando a democrática e necessária participação dos 19 novatos. Cairo Salim (MDB), Charles Bento (MDB), Jamil Calife (PP), Talles Barreto (União Brasil), Virmondes Cruvinel (União Brasil), Wagner Neto (SD) e Wilde Cambão (União Brasil) se uniram para cortar o caminho de Issy Quinan (MDB), mas foram surpreendidos pela aproximação de Issy com uma parcela expressiva dos novatos. Instalou-se, a partir daí, uma espécie de ameaça para a estratégia de manter tudo como está, através da eleição de um presidente 100% comprometido com o insustentável status quo de lambança funcional na Assembleia.
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Quem vai ser o próximo presidente da Assembleia? Por ora, uma resposta ainda é impossível. Issy Quinan, uma revelação em matéria de articulação de bastidores, continua como o mais cotado. A escolha, pelo plenário, será feita em 1º de fevereiro de 2027, logo após a posse dos deputados eleitos. Seja quem for o abençoado, ele enfrentará uma desafio difícil: seguir em frente com a herança maldita de Bruno Peixoto incólume ou partir para a inadiável agenda de recuperação moral e de restauração da dignidade do Poder, hoje comprometido pela série de manchetes negativas de O Popular e até da imprensa nacional, denunciando e expondo o inaceitável repositório 6 mil cargos comissionados e centenas de diretoria, supervisão, assessoria superior e mais uma fieira de salários superiores a R$ 20 mil mensais, benesses milionárias para os deputados tais como penduricalhos a granel (tem auxílio financeiro inclusive para comprar ternos), viagens internacionais (não se exclui nem a Disney), SUVs de luxo e até avião para viagens para o interior, claro, por conta do erário. Sem falar no que é ocultado do público.
Ao reabrir em fevereiro de 2027, a Assembleia se defrontará com uma encruzilhada. Mais do que nunca, precisará se reencontrar com a sua importância histórica e se sintonizar com os interesses da população que representa. Alguém se lembra de alguma iniciativa relevante dos deputados estaduais desde 2023, quando se iniciou a desastrosa gestão de Bruno Peixoto? Quem dá notícia de um projeto ou sequer de um debate, a não ser de baixo nível ou de agressão entre os parlamentares, minimamente construtivo para Goiás? Um discurso? Uma entrevista? É triste, mas a Assembleia tornou-se um zero à esquerda e o pior é que há deputados se esforçando para que assim permaneça, como uma estrebaria de Áugias cuja limpeza acabou se tornando o 5º trabalho de Hércules (havia tanto esterco acumulado que o herói mítico desviou 2 rios e em horas toda a imundície foi lavada).
