E se 2024 reserva para a extrema-direita o pódio das urnas em Goiânia?
Não é uma impossibilidade. Antes, uma probabilidade. Pesquisas publicadas no remate do ano passado mostraram que a candidatura a prefeito do deputado federal Gustavo Gayer (PL) não está confinada a um gueto ideológico e tem potencial para crescer, conquistar uma vaga no 2º turno e até vencer no cotejo das urnas. Ainda mais beneficiada, como o está sendo, por ora, pelas dificuldades da petista Adriana Accorsi em atrair alianças para se fortalecer e pela indefinição da base do governador Ronaldo Caiado quanto ao nome no qual investir todo o seu poderio.

Gayer, como se sabe, é produto da polarização recente da política brasileira. Não tem papas na língua e não se intimida com os numerosos e perigosos processos a que responde desde a 1ª instância até o Supremo Tribunal Federal, alguns, como o inquérito dos atos antidemocráticos, embutindo riscos para o seu mandato na Câmara. É racista, preconceituoso e discípulo das trevas, mas… tem votos. Foi o 2º mais sufragado em Goiânia em 2022, atrás apenas a deputada Silvye Alves. Na eleição municipal pregressa, em 2020, conseguiu se classificar em 4º lugar. Não pode e não convém ser ignorado, portanto, como uma hipótese para o Paço Municipal de 2025 em diante.
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Sem projeto para Goiânia, nem mesmo subjacente às suas palavras ou ações, Gayer mesmo assim está no jogo. O eleito no qual aposta, formando uma camada radical da sociedade, não tem força isoladamente para eleger um prefeito ou sequer levar um candidato para o 2º turno. A rejeição ao petismo, contudo, pode completar a diferença. Não se deve esquecer: Lula tomou uma surra de Bolsonaro entre as eleitoras e os eleitores da capital. Foi quase na base de 2 por 1, a tal ponto tornar-se unânime entre os analistas políticos a impressão de que o presidente será um influenciador negativo na campanha em aproximação, para azar de Adriana Accorsi.

O antagonismo bolsonarismo x lulismo continua vivo, estimulado, a propósito, pelas suas caricaturais maiores figuras. Tanto Jair Bolsonaro quanto Lula da Silva não perdem a oportunidade para manter aceso um conflito pernicioso para o país, porém rentável não apenas para eles, como também para todos os políticos gigolôs da confrontação. Prova maior é uma pesquisa nacional, também no final do ano findo, expondo 90% dos eleitores petistas e igual percentual de bolsonaristas como vigorosamente apegados às escolhas de 2022. Ninguém cedeu ou mudou de ideia. Bom para Gustavo Gayer.