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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jan

Leia o relatório-denúncia sobre as últimas semanas de Vilmarzim na prefeitura de Aparecida

Raras vezes na história de Goiás viu-se um prefeito tão irresponsável e despreparado como Vilmar Mariano em Aparecida. Ele assumiu a prefeitura como o vice destrambelhado que Gustavo Mendanha escolheu em um momento particularmente infeliz. Mendanha, de qualquer forma, não poderia prever o que aconteceria, já que aos poucos é que se consolidou a convicção de que Vilmarzim não teria condições morais nem intelectuais para encabeçar o poder municipal aparecidense por dois anos e meio. Não poderia dar certo, como não deu. E terminou melancolicamente, tal como esperado, com o Mariano isolado e amargurado, praticamente fugindo pelas portas dos fundos da Cidade Administrativa por falta de hombridade para passar de cabeça minimamente erguida o bastão para o seu sucessor Leandro Vilela.

Em seus momentos finais, Vilmarzim perpetrou atos que mais uma vez confirmaram a sua falta de altura para o cargo, privilegiando a liberação de R$ 135 milhões para fornecedores apaniguados, fora da ordem cronológica, em detrimento da folha de pessoal de dezembro – pela primeira vez em 15 anos não quitada antes do Natal e legada em aberto para Vilela, o que garantiu um fim de ano, e um começo também, de vacas magras para as famílias dos servidores. Só por isso, merece ser chamado de crápula, sem falar na coleção de barbaridades que praticou como um dos piores prefeitos de história de Aparecida. É isso que pode ser conferido no relatório-denúncia que Vilela encaminhou ao Tribunal de Contas dos Municípios, com a lista completa dos despautérios cometidos pelo seu antecessor.

 

EXCLUSIVO

Leia a íntegra do relatório-denúncia sobre as irregularidades de Vilmar Mariano na reta final como prefeito de Aparecida.

 

Assim é a política, leitoras e leitores. Ineptos como Vilmarzim e seu congênere em Goiânia, outro vice beneficiado pelo acaso, Rogério Cruz, sentaram-se em cadeiras que já foram de Maguito Vilela, em Aparecida, ou Iris Rezende. Tivemos que suportá-los. A diferença entre eles é que Cruz manteve-se como um homem humilde, até estoico, travado pela própria incapacidade de tomar decisões e enxergar o que o rodeava, enquanto Vilmarzim nunca passou de um fanfarrão desmiolado, que um dia prometeu dar o troco nas urnas em ninguém nada menos que o governador Ronaldo Caiado por ter sido descartado como candidato da base aliada em Aparecida. Quem será que ele pensou ser para desafiar uma força tão superior, à qual ele, se tivesse o mínimo de bom senso, poderia ter se filiado para garantir o próprio futuro?

Coitado do Vilmarzim. Ele agora voltou a ser o nada que sempre foi, com o agravante de se expor a investigações que poderão levá-lo a um encontro marcado com a Justiça, não se descartando nem mesmo penas de prisão. Ele já é denunciado por improbidade administrativa, como ladrão de galinhas quando presidiu a Câmara de Aparecida (denunciado por retornar uma parte dos R$ 20 e poucos mil reais que pagou por um curso fajuto de aperfeiçoamento para os assessores da Casa). Há crimes diversos nas coisas absurdas que fez como prefeito, como a contratação sem licitação de 110 totens de segurança a um custo mensal de aluguel de R$ 1 milhão e meio, negócio suspeitíssimo e sem similar em todo o país.

 

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Não houve novidades: coerente com a sua falta de caráter, Vilmarzim foi-se sem entregar a prefeitura para Vilela e nunca mais foi visto em Aparecida. Aliás, em dezembro, praticamente não apareceu no seu gabinete. Já estava se escondendo, envergonhado, postando fotos de reformas e de pinturas de prédios no Instagram como se tratasse de realizações de peso. Desde o Ano Novo, não publicou mais nada. Sempre se desconfiou desse prefeito incompetente, tanto que pesquisas durante o seu mandato apontavam o tempo todo a sua baixíssima avaliação. Aparecida sabia, portanto. Mas o que pode ser comprovado agora, pela devassa que está em andamento sobre a sua administração, é que havia um roedor na prefeitura.